Brasília, domingo, 17 de agosto de 2003
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Charge

Albano Dias

 


Um homem, uma estrada

  Uma estrada nasce e, no decorrer do caminho, morre. Algumas têm uma trajetória mais longa, outras, mais curta.

  Durante a vida, a estrada suporta pesos de automóveis, ônibus, caminhões...Felizmente, todos eles passam. Todavia, deixam pelo caminho marcas de sofrimento (rachaduras, buracos).

  Existem estradas que são retas, outras, tortas. As curvas estão em fase de mudança de percurso. Já as circulares parecem rodear o mesmo lugar.

  No decorrer da trajetória de um estrada ocorrem encontros e desencontros. Muitos encontros acontecem uma única vez e ficam para trás como uma lembrança, à medida em que a estrada segue seu caminho.

  Algumas estradas passam por cima de outras formando viadutos, deixando depressões. Os cruzamentos ocorrem entre duas, já o balão pode ser o ponto de encontro de muitas.

  Há estradas que andam perto uma da outra durante um longo percurso e só se ligam através de pequenos trechos, chamados retorno ou outros trechos traçados por outras estradas. Apesar dessas pequenas ligações, cada uma segue sua trajetória paralela à outra.

  Bifurcações separam estradas que vinham caminhando juntas. A partir daí, muitas nunca mais voltam a se unir. Já algumas se reencontram lá na frente e caminham juntas até a morte.
  • Vanessa de Carvalho Vaz
    711 Norte


  • A nova face do colonialismo

    Tecnicamente, o Brasil é uma nação soberana desde o século 19, mas a sociedade brasileira continua colonizada. Atravessamos todo o século 20 sem qualquer sinal ou atitude coletiva que assegurasse a afirmação nacional e garantisse a identidade de uma nação livre.

    O colonialismo se fundamenta na prática de um relacionamento onde o colonizador se nutre das riquezas geradas na colônia; por outro lado, a colônia desenvolve um sentimento de inferioridade que compromete a autoconfiança da sociedade e, com isso, entendemos que apenas o que é produzido além das fronteiras coloniais tem valor.

    Para dar vazão à nossa elevada fertilidade criativa e cumprir com o papel colonial, as instituições públicas estimulam a produção científica, cujo conhecimento é transferido gratuitamente para os países desenvolvidos por meio de publicações de artigos em revistas científicas editadas em países ricos, que ficam mais ricos com a nossa contribuição através da conversão de nossas pesquisas em patentes e tecnologias.

    O exemplo mais emblemático dessa política desfocada é a experiência vivida pelo consagrado cientista brasileiro Sérgio Ferreira, ex-presidente da SBPC — a instituição científica mais importante do Brasil. Ele teve uma de suas pesquisas transformada em patente por um laboratório multinacional, após a publicação. O medicamento gerado por essa descoberta movimenta um mercado mundial equivalente a US$ 2 bilhões anuais. O pesquisador e o Brasil não receberam nenhum centavo por essa invenção desenvolvida em um laboratório público.

  • Reginaldo Marinho
    Pesquisador, inventor premiado, ex-presidente nacional da Associação Brasileira do Inventores e da Propriedade Industrial (Abripi)




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