

DESENVOLVIMENTO
Os inventores do Distrito Federal
Brasília é a 7ª unidade da Federação que mais pede registros de inventos ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial. Além disso, o DF ganhou três das quatro medalhas de ouro internacionais sobre invenções dadas ao Brasil
Mariana Flores
Da Equipe do Correio
| Fotos: Daniel ferreira |
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Antônio Coelho, inventor do tijolo ecológico: ‘‘Vendo máquina para fabricar o produto desde que não venham vender tijolos na minha região’’
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Nélio Nicolai: prêmio internacional por invenção do Bina
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Máquina que reconhece dinheiro e documentos falsos é de brasiliense
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A frase ‘‘que nossos inventos possam sempre servir para o bem estar dos nossos semelhantes’’, retirada da Oração do Inventor, expressa a motivação do engenheiro elétrico Rudi Van Els, de colocar para funcionar sua mais preciosa criação: a turbina hidrocinética, uma ‘‘mini usina de energia’’ capaz de levar eletricidade para comunidades isoladas nas margens dos rios.
A primeira foi instalada em Correntina, interior da Bahia, em 1995. Desde então, é responsável pela iluminação de um posto médico distante 100 km do primeiro sinal de energia elétrica. Van Els agora quer começar a ganhar dinheiro com o produto que vai colocar no mercado no ano que vem. O público alvo são escolas, postos médicos e pequenos conjuntos de residênciais. A mini usina, com peso de 300 kg, é capaz de gerar até 3kwh, energia suficiente para abastecer quatro casas de três quartos.
O embrião da turbina hidrocinética surgiu nas oficinas da Universidade de Brasília (UnB). Assim como vários outros criadores, Van Els sonha colocar a cidade em posição de destaque no cenário nacional e mundial das invenções. Mas a capital da República já está bem. Ocupa o sétimo lugar (entre as 27 unidades da Federação) no ranking de pedidos de patentes do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). ‘‘No Distrito Federal há um grande número de pessoas envolvidas com tecnologia e isso se transforma em pesquisas’’, analisa o presidente em exercício do INPI, Luis Otávio Beaklini.
A cidade também possui o atrativo dos centros de pesquisa dos órgãos federais e da Universidade de Brasília. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Inventores e da propriedade Industrial, Jonathas Madeira, o DF ganhou três das quatro medalhas de ouro sobre invenções que o Brasil recebeu de órgãos internacionais. Uma dessas premiações é de Nélio Nicolai, inventor do Bina, chamado de Identificador de Chamadas. As outras duas foram oferecidas a Reginaldo Guedes, que há algum tempo deixou a capital federal e voltou para seu estado natal, a Paraíba.
Em 1996, Nélio foi homenageado pelo órgão mundial da propriedade industrial, o World Intelectual Property Organization, pela invenção utilizada em telefones fixos e celulares de todo o mundo. Vinte e dois anos depois de registrar o pedido de patente pelo invento, Nélio ainda tenta, na Justiça, receber direitos autorais.
A dificuldade de receber royalties desanima o brasiliense Antônio Carlos Coelho, inventor do tijolo ecológico, que não precisa ir ao forno para ganhar consistência, economizando madeira. Prevendo as dificuldades de cobrança, ele resolveu ganhar dinheiro vendendo a máquina para que outras pessoas imitem seu produto. Desta forma, o tijolo já está sendo fabricado em outros estados. ‘‘Vendo a máquina desde que eles não venham vender o tijolo na minha região’’, ressalta o inventor do tijolo feito de cimento, cal, areia e argila.
Coqueluche
Quem ainda não sentiu os efeitos da pirataria foi Cláudio Borges, que criou a máquina que identifica desde dinheiro e documentos falsos até cheques e cartões clonados, passando por ticket-alimentação e vale-transporte. A máquina virou uma coqueluche desde que foi exposta pela primeira vez, há dois meses, em uma feira do Sebrae. Já foram vendidas 1,2 mil unidades e Borges já tem outras 7 mil encomendadas a R$ 450 cada.
A facilidade de encontrar mercado não existe para todas as invenções. Há quase dois anos Flávio Duarte sonha em ver as bicicletas das ruas e das academias de todo o país adaptadas com um novo assento, sem o bico frontal e dividido ao meio por uma fresta. Cansado de esperar interessados em fabricar o seu produto, ele resolveu acrescentar o banco à própria bicicleta. Mas, como não podia deixar de ser, não será uma bicicleta comum, dessas que todos têm em casa. O engenheiro ressuscitou a antiga idéia da bicicleta dobrável.
Outro que ainda sonha em encontrar interessados em seu produto é Celso Brant Sobrinho. Inventor de uma capa, com cadeado, para revólveres, Celso já sabe até quem seria o principal consumidor de seu produto: policias de todo o país preocupados com a curiosidade infantil. Só não conseguiu, ainda, encontrar alguém que queria fabricar em larga escala a novidade. Problema enfrentado constantemente pela maioria dos ‘‘professores pardais’’.
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Brasileiro cria bicicleta de bambu
Felipe Campbell
Da equipe do Correio
| Divulgação |
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Dinamarqueses compram bicicleta de bambu por mais de R$ 5 mil
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Um modelo de bicicleta leve, bonita e rápida. A notícia não teria nada de interessante não fosse um detalhe: a estrutura do equipamento é de bambu, e não de metais ou fibra de carbono. O produto foi idealizado e desenvolvido por um brasileiro, o desenhista industrial Flavio Deslandes, 30 anos, como projeto de conclusão de seu curso, na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Hoje ele tenta fazer seu invento ganhar mercado em um dos lugares do mundo onde existe uma das maiores concentrações de bicicletas: a Dinamarca.
O bambu tem propriedades que o tornam extremamente resistente. Se bem tratado, pode durar anos. Para se ter uma idéia, o único edifício que sobreviveu a um terremoto em 1992, na Costa Rica, era feito com base no vegetal. Outro dado curioso: depois que a bomba atômica devastou a cidade de Hiroshima, no Japão, em 1945, a primeira planta que floresceu na região foi o bambu.
Uma das grandes vantagens do bambu é o seu formato: ele vem da natureza praticamente pronto, em forma tubular. Para não apodrecer, precisa passar por um trabalho quase artesanal. ‘‘É todo feito à mão. Não se pode confundir essa bicicleta com o modelo desenvolvido pela indústria. É quase como se fosse um móvel’’, explica Flavio.
Após passar por um processo de impermeabilização, o caule do bambu fica mais imune às variações do clima. ‘‘Algumas pessoas escreveram recentemente que eu disse que o bambu era mais resistente que o aço. Não é bem assim. Cada material tem seus pontos positivos. Mas o bambu pode ser tão eficiente e durável quanto os outros materiais, se for exposto às mesmas condições climáticas’’, explica Deslandes.
Escala de produção
O desenhista mora na Dinamarca há três anos. Uma das razões para a mudança foi a expectativa de desenvolver o projeto da bicicleta, que já está no sétimo protótipo. O equipamento ainda não é vendido em larga escala, principalmente devido ao preço final — 15 a 20 mil coroas dinamarquesas (R$ 5 a R$ 10 mil).
Parece absurdo, mas para os padrões dinamarqueses o preço não é tão diferente dos modelos de alumínio existentes por lá, observa Flavio. Ele leva de duas a três semanas para montar uma bicicleta e já vendeu mais de dez unidades. ‘‘As pessoas pedalam muito aqui, principalmente no verão. É um mercado exigente’’, diz.
Apesar de estar morando em um país que lhe dá amplas condições para pensar em criar diferentes modelos de bicicletas, o desenhista sofre com a dificuldade para encontrar a matéria-prima, que existe em abundância no Brasil mas não é muito comum nas frias terras nórdicas.
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Editor: Marcelo Onaga// marcelo.onaga@correioweb.com.br
Subeditores: Sandro Silveira, Maísa Moura e Felipe Campbell
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