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BRASIL 500 ANOS: O DÉCIMO SEGUNDO DIA DA VIAGEM

Os 12 homens de Cabral

Quem eram os capitães de cada barco da frota, e a história da ascensão e queda do domínio português na Ásia, o “império impossível”

Leilão na Rua Direita de Goa (1638): escravos, cavalos e pimenta. Para os portugueses, Goa é uma cidade-empório

Quinta-feira, 19 de março de 1500. A frota continua no rumo de Cabo Verde, mas o coração dos capitães já está na Ásia. Temem o mar e os indianos. Sabem que depois do Cabo das Tormentas, o oceano é um abismo. Também reconhecem que não basta chegar ao outro lado do mundo: a ordem real é desembarcar, negociar e instalar feitorias nas Índias. Não é tarefa fácil. O celebrado Vasco da Gama fracassou: em 1498 venceu os perigos náuticos, mas não estabeleceu vínculo comercial com os soberanos hindus. Acompanhavam Da Gama três navegadores que agora integram esta esquadra: Bartolomeu Dias, Diogo Dias e Nicolau Coelho. Dos 13 capitães desta frota, são os únicos com respeitável currículo náutico. De resto, há seis nobres e quatro de passado desconhecido. A seguir, os 12 homens de Cabral:

* Sancho Tovar — Vice-comandante da esquadra, Tovar é um nobre espanhol que se refugiou em Portugal depois de assassinar o juiz que anos antes mandara degolar seu pai, Martim Fernandes de Tovar.

* Simão de Miranda de Azevedo — É um nobre que antes de embarcar tinha uma vida frívola na corte portuguesa. Após a viagem de Cabral, Miranda voltará à Índia em 1512 e morrerá três anos depois em Sófala (Moçambique).

* Bartolomeu Dias — Célebre navegador, injustiçado pelo destino. Abriu os caminhos do Índico em 1488 ao dobrar o Cabo das Tormentas. Em 1498, viajou com Vasco da Gama para a Índia, mas o rei lhe ordenou que ficasse no meio do caminho para fundar uma feitoria na África. Agora recebeu missão semelhante, mas não conseguirá realizá-la. Como numa vingança do destino, Bartolomeu naufragará em maio de 1500, no mesmo Cabo das Tormentas que vencera há 12 anos.

* Aires Gomes da Silva — É da família Silva, importante casa de Portugal e de Castela. Também não sobreviverá a esta viagem. Vai naufragar em 23 de maio de 1500.

* Simão de Pina — Nobre e neto de Vasco Anes de Pina, um dos guerreiros do rei dom João I, na batalha de Aljubarrota, em 1385, quando Portugal se libertou de Castela. Pina também morrerá no naufrágio de 23 de maio de 1500.

* Luís Pires — Não há informação sobre este homem que comanda a pequena nau mercante. Pires também morrerá no desastre de 23 de maio de 1500.

* Vasco de Ataíde — Sabe-se apenas que é um cavalheiro de boa linhagem. Também não sobreviverá à viagem. Sua nau sumirá em 23 de março de 1500.

* Nicolau Coelho — Não tem nada de nobre, mas entende tudo de mar. É dos maiores navegadores portugueses. Capitaneava a nau Bérrio, durante a viagem de Vasco da Gama. Foi Nicolau quem avisou dom Manoel da chegada às Índias em 1498.

* Pero de Ataíde — Apelidado O Inferno,terá perfomance heróica em dezembro de 1500, quando os hindus atacarem a feitoria de Calecute. Voltará à Índia em 1502, na segunda viagem de Vasco da Gama. Um ano depois, morrerá em Moçambique, onde aportará como náufrago.

* Gaspar de Lemos — Comanda a nau de mantimentos, que, em 1º de maio, voltará a Portugal com a notícia da descoberta do Brasil.

* Nuno da Cunha — Sabe-se apenas que é criado da Casade Bragança e comanda a caravela Anunciada.

* Diogo Dias — Irmão caçula de Bartolomeu Dias. Estavam juntos quando Bartolomeu dobrou o Cabo das Tormentas. Foi escrivão na nau de Vasco da Gama. Agora, sua missão é fundar uma feitoria em Moçambique. No final da viagem, se perderá numa tempestade, mas conseguirá retornar a Lisboa.n Ana Beatriz Magno, da equipe do Correio






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