logo-correio.gif (3798 bytes) 500 Anos de Brasil

Sobre o rastro marítimo de Cabral

Presidentes do Brasil e de Portugal acompanharam largada de regata que refaz trilha das naus do navegador

Da Agência Estado

Inacio Rosa / AFP
Rumo ao Rio: réplica de uma nau passa ao lado da Torre de Belém

Lisboa — O presidente Fernando Henrique Cardoso participou ontem de uma série de eventos relacionados às comemorações do descobrimento do Brasil, que motivaram sua viagem a Portugal. O principal deles foi a saída da regata que vai refazer a trajeto de Pedro Álvares Cabral em direção ao Rio de Janeiro.

  Os 55 barcos de cinco países deixaram a Península Ibérica na parte da manhã. Entre eles estava uma réplica de uma das naus da expedição de Cabral. O presidente de português, Jorge Sampaio, também acompanhou a largada do cruzeiro oceânico do V Centenário da Viagem de Pedro Álvares Cabral na Torre de Belém. Os dois mandatários ainda participaram de uma cerimônia para troca de presentes.

  Os discursos presidenciais foram marcados pela defesa do estreitamento dos laços entre os dois países e as semelhanças entre as duas nações. Fernando Henrique afirmou ser solidário a Portugal na defesa da tolerância política e étnica onde quer que ela esteja sob ameaça e ressaltou que o Brasil comunga da preocupação do povo português com o recrudescimento do sectarismo em solo europeu.

  Ele disse ainda que Brasil e Portugal estão empenhados em aproximar o Mercosul da União Européia. ‘‘Queremos associar nossos mercados com uma liberalização de trocas que funcione em mão dupla para o bem de todos’’, afirmou o presidente. Nessa linha, ele revelou que será assinado um novo tratado de amizade, cooperação e consulta que facilitará a circulação de pessoas e as oportunidades recíprocas de trabalho e anunciou a realização de um congresso Brasil-Portugal ano 2000 em setembro, no Rio de Janeiro.

  O presidente português citou como exemplo do relacionamento entre os dois países o fato de o investimento português no Brasil atingir hoje valores impensáveis há poucos anos em setores como telecomunicações. ‘‘A nossa aposta no Brasil mostra a profunda confiança que temos no país’’, afirmou Sampaio.

  Até setembro deste ano, uma série de acordos serão assinados pelos dois países. Entre eles estão acordos na área de aviação civil, com aumento de vôos entre os dois países, e um que prevê o fim da bitributação, conforme informou o embaixador do Brasil em Portugal, Synésio Sampaio.

  Hoje, Fernando Henrique Cardoso volta ao tema das relações entre os dois países durante um almoço na Câmara de Comércio Portugal-Brasil, quando tentará conquistar investimentos de empresários portugueses. Na ocasião, haverá a entrega do Prêmio Personalidade do Ano ao ministro das Finanças e Economia português, Joaquim Pina Moura, e ao presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP) do Brasil, David Zylberstajn, genro de Fernando Henrique.

  Apesar de não haver nenhum investimento português na área do petróleo, o prêmio ao presidente da agência será dado por causa da ‘‘influência’’ dele no governo, de acordo dirigentes da Câmara. ‘‘Zylberstajn domina o setor energético e tem dedicado um carinho especial às empresas portuguesas. Ele tem também muita influência na área de telecomunicações’’, explicou o presidente da Câmara de Comércio, Antônio Bustorff.

  Fernando Henrique afirmou ontem que é de interesse do Brasil que empresários brasileiros também invistam em Portugal. ‘‘Por mais que nós tenhamos necessidade de investimentos no Brasil, isso não significa que não tenhamos empresas no Brasil que se disponham a fazer joint-ventures ou mesmo inversões diretas em Portugal’’, disse o presidente.


Greca: ‘‘Vamos ver’’

Da Agência Folha

O ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, admitiu ontem, em uma resposta curta, que sua situação no governo ainda não está definida. Depois de distribuir uma apostila com os investimentos do governo federal nas comemorações dos 500 Anos do Descobrimento, o ministro foi questionado se daria para ele cumprir todo o programa até abril 2001 (abril), quando se encerram os festejos. ‘‘Vamos ver, mais ou menos’’, disse, antes de dar uma risada e sair de perto dos jornalistas que o cercavam em uma estação do metrô do centro da capital portuguesa.

  O presidente e os ministros estiveram na estação para inaugurar o painel, ‘‘Brasil-Portugal: 500 Anos - A Chegança’’, do artista plástico Luiz Ventura, amigo de infância do presidente Fernando Henrique Cardoso. Quatro horas antes, o próprio presidente negara a intenção de fazer uma reforma ministerial em abril próximo e de fundir os ministérios de Esporte e Turismo, de Greca, e da Cultura, de Francisco Weffort.

  O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen, disse ontem em Florianópolis (SC) não acreditar que Greca, de seu partido, esteja em processo de ‘‘fritura’’. Ele considerou ‘‘encerrado o episódio das declarações dadas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso’’. Em entrevista à revista Época, o presidente afirmou que a nomeação de Greca, sem que antes ele passasse algum tempo pelo Congresso, foi um ‘‘erro’’. O ministro foi eleito deputado federal pelo Paraná em 1998, mas se licenciou do cargo para ocupar o ministério.

  O presidente do PFL disse que não conversou com o ministro Greca após a divulgação da entrevista nem pretende procurar Fernando Henrique para discutir as declarações. ‘‘Sou favorável à permanência do ministro no governo e acredito que assim vai ser’’, afirmou.

  O presidente do PFL, que estava ontem em uma praia de Santa Catarina, não participou da comitiva presidencial que foi a Portugal para as comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, como estava previsto. O avião que o levaria da capital catarinense ao Rio de Janeiro, que vinha de Buenos Aires (Argentina), não pôde pousar devido ao mau tempo. O aeroporto internacional de Florianópolis ficou fechado das 18h às 18h40 de segunda-feira. ‘‘Em outro vôo eu não chegaria a tempo’’, disse Bornhausen.

  A desistência, porém, ainda não está bem explicada. A representação da Infraero em Florianópolis informou que pelo menos mais cinco vôos partiram para São Paulo, com possíveis conexões para o Rio, após às 19h de segunda. A comitiva presidencial saiu às 9h05 de terça da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro.





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