logo-correio.gif (3798 bytes) 500 Anos de Brasil

O MUNDO NA ÉPOCA

A reinvenção da moda

 

Obra de Piero di Cosimo (1462-1521) mostra uma jovem de 23 anos com cabelos à moda da época
Capas de sapato da moda francesa (à esq.) e imensas plataformas italianas: tudo para evitar o lamaçal
Dois jovens escolhem entre pentes, caixas, braceletes: agrado para as mulheres

  O Renascimento reinventou a moda na Europa. Desaparecem as roupas sem graça dos tempos medievais. As mulheres ganham cintura e perdem a aparência de eternas grávida. Na Idade Média, os vestidos eram longos, acinturados logo abaixo do peito. Nascem as roupas de baixo e as camisolas. Antes dormia-se nu, não havia cuecas nem calçinhas.

  É o tempo da vaidade. Junto com as penteadeiras nos quartos, surge a mania de enfeitar-se, tradição já tão comum entre astecas, maias e índios das Américas. Os mulheres usam colares, brincos e pentes encrustrados de pedras. Declaração de amor comumé presentear a amada com um destes pentes.

  Ao contrário das toucados antigos que transformavam cabelo em capecete, os penteados do Renascimento exibem leveza. Adorna-se apenas o alto da testa. Nos pés, calçam-se imensos tamancos plataformas,parentes dos que hoje vemos nos desfiles fashion. Esses sapatos têm saltos de até 10 centímetros.São altos assim por razões práticas: as cidades eram imundas e lamacentas, se a moça não estivesse nas alturas, sujaria a barra da saia. Na França, os homens também se protegem da lama, cobriam os sapatos com pontudos tamanquinhos.

  Além do vestido, chamado também de pelote, há o brial, parecido com um colete comprido. Os modelos abandonam o formato em S dos anos quatrocentos e ganham corpetes justos. Nas ruas homens e mulheres se cobrem com capas e mantos. Usam-se cores, o vermelho é chique, o bordado também.

  É na Itália que a moda entra na moda. Capital das artes no Renascimento, Florenca reinventa o jeito de vestir usando sedas, pedras, marfins, levados da África e da Ásia pelos comerciantes. Não valia só para mulheres. A historiadora portuguesa Madalena Brás Teixeira, especialista em história do vestuário, mostra que a roupa masculina era mais rica e volúvel que a feminina. ‘‘Esta é a regra verdadeira até 1789, data da Revolução Francesa’’, resume a historiadora. Os estilistas renascentistas são genorosos com os homens. Tiram-lhes as saias que os acompanharam durante toda a Idade Média. Os padres se horrorizam com a ousadia. ‘‘A grande mudança é que por volta de 1350, encurta de uma assentada o vestuário masculino, de maneira escandalosa aos olhos das pessoas sensatas’’, explica Fernand Braudel, um dos maiores historiadores franceses.

  O golpe no pudor é o pai da vaidade. De saias curtas e depois sem elas, os homens passam a andar de calças justas. As mulheres cultuam o decote, reveladores das arredondadas e saudáveis formas daqueles séculos luxuosos. Luxuosos, para alguns. Como de costume, havia luxo e diversisade no guarda-roupa para quem tinha dinheiro.

Os pobres continuaram maltrapilhos. ‘‘O camponês francês anda mal vestido e os trapos que cobrem sua nudez mal o protegem do rigor das estações’’, escreve um demógrafo francês do século do século XVI. Passados 500 anos, o que homem carrega sobre a pele continua a servir para três coisas: protegê-lo do clima, embelezá-lo e separá-lo. (ABM)

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