logo-correio.gif (3798 bytes) 500 Anos de Brasil

O MUNDO NA ÉPOCA

Nas águas do Renascimento

 

Único retrato de Camões, pintado em 1570

Miguel Cervantes, nascido em Alcalá de Hanares, Espanha

Michel de Montaigne, filósofo nascido em 1533, na França

Shakespeare, nascido em Stratford-upon-Avon

   Enquanto os conquistadores ibéricos buscavam novos mundos por mares desconhecidos, os italianos navegavam com desenvoltura pelos domínios das artes e da cultura. O advento da Renascença a partir do século XIV dá início à hegemonia de um paradigma artístico e filosófico que se manterá por pelo menos mais duzentos anos em todo o continente. A Idade Média acabou. A Europa atravessou o conturbado período das ‘‘trevas’’ e começa agora um período de excelência no terreno das artes e do conhecimento — poesia, pintura, filosofia, arquitetura.

  Três escritores definem os novos rumos do pensamento europeu: Petrarca, Dante e Boccaccio. Um dos maiores representantes do Trecento (como é conhecido o século XIV, dos anos 1300, na Itália), Petrarca definiu a tese mais sólida do Renascimento: a sociedade só poderia superar a letargia da Idade Média e renovar-se a partir dos estudos da cultura clássica.

  É impossível considerar a revolução literária na Europa no século XV sem levar em conta os avanços tecnológicos da época — em especial o desenvolvimento da imprensa, com a invenção dos tipos móveis pelo alemão Johann Gutenberg. Os textos manuscritos, até então reproduzidos um a um pelos famosos copistas dos mosteiros, passam a ser impressos. Em poucas dezenas de anos, as publicações tornam-se cada vez mais comuns. Em 1500, o continente europeu já contava com seis milhões de livros em circulação. A popularização dos livros modifica radicalmente o hábito da leitura.

  Publicações até então restritas aos eruditos e à elite e idéias que circulavam apenas em sermões públicos dão lugar à descoberta individual do conhecimento e das escrituras. O contato com os livros entra para o ambiente domiciliar. É a chamada leitura intelectual. Em silêncio.

  O Renascimento na literatura, baseado nos preceitos do Humanismo, atinge o auge no século XVI. É do Cinquecento que nasce a obra que define, por exemplo, o pensamento político moderno: O Príncipe, do florentino Maquiavel. A valorização do indivíduo encontra expressão fundamental no pensamento de Montaigne, em seus Ensaios.

  A renovação estética nascida na península itálica tem influência marcante na Espanha e em Portugal. As primeiras traduções em catalão de A Divina Comédia surgem no século XV. Juan de Mena e Marquês de Santillana são alguns dos escritores que se inspiram nos versos de Dante e Boccaccio.

  Por outro lado, o Renascimento, com sua ênfase no secular em lugar da religiosidade medieval, fornece o arcabouço para a revalorização das literaturas nacionais. Os sonetos de Petrarca inspiram poetas franceses, ingleses e espanhóis.

  O francês Rabelais, com a história dos gigantes Gargântua e Pantagruel, formula uma crítica irônica dos temas religiosos, intelectuais e literários de seu tempo. Cervantes, por sua vez, faz um retrato do homem hispânico em Dom Quixote. O patriotismo está também em Os Lusíadas, de Camões. A história do navegador Vasco da Gama narrada em verso certamente faz parte da mais ilustre biblioteca renascentista. Por fim, o insuperável William Shakespeare, que, escrevendo em inglês, utilizou as formas do Classicismo — em especial a tragédia — para mergulhar nas profundezas do caráter humano.

(*) Carlos Alexandre, da equipe do Correio.

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