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BRASIL 500
ANOS: O TERCEIRO DIA DA VIAGEM
A 11 quilômetros por hora
Agora, a frota anda num bom ritmo, rumo ao sul. Como
eram as naus e caravelas da esquadra de Cabral e em que estágio se encontrava
a navegação marítima no mundo
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| A Ribeira das Naus, em Lisboa, onde
se construíam os barcos
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Terça-feira, 10 de março de 1500. A esquadra
está em alto-mar, navega em ritmo razoável rumo ao sul.
A velocidade média é de 5,8 nós, ou quase 11 quilômetros
por hora.
O alto-mar é água e céu.
E os barcos desta esquadra. São treze: dez naus e três
modernas caravelas redondas, ágeis e leves, exemplares do que
há de mais avançado em tecnologia naval na Europa.
Construídas na Ribeira das Naus,
em Lisboa, as caravelas ganharam o apelido de redondas devido ao formato
de seus cascos e porque seus três mastros combinam velas triangulares,
as latinas, com as quadrangulares, que se arredondam com o bater dos
ventos.
Esta frota, como a maioria das esquadras
lusitanas, tem duas divisões. A primeira e mais nobre navega
com onze barcos e deve chegar a Calecute, nas Índias, e ali fundar
um entreposto comercial.
Mais modesta, a segunda divisão viaja
apenas com uma caravela e uma nau e está encarregada de erguer
uma feitoria em Sófala, derradeiro porto na costa oriental da
África, região rica em ouro.
Na primeira divisão estão
sete naus, duas caravelas, uma pequena nau mercante com 40 homens e
uma naveta de mantimentos com 80. No total, os 11 navios transportam
pouco mais de mil tripulantes. Entre eles, Pedro Álvares Cabral,
em sua Nau Capitânia, e Sancho de Tovar, subcomandante da frota,
responsável pela sota-capitânia, de nome El Rei.
Nos dois navios da segunda divisão, viajam
230 homens, sob o comando do experiente Bartolomeu Dias, primeiro navegador
a dobrar o Cabo da Boa Esperança, em 1488. A caravela de Dias
é pequenina. Tem apenas 80 homens e capacidade para 100 tonéis,
unidade própria para medir o porte dos barcos.
Os tonéis, chamados também
de louça de bordo, são barris de 1,2 metro de comprimento
e oitenta centímetros de diâmetro que guardam a água,
o vinho e o vinagre
A vida no mar imita a da terra. No Oceano,
o comandante é o rei. Cabral tem oito serviçais, guarda
privativa e é protegido por sete besteiros. São soldados
armados de bestas, armas medievais, formadas por um arco que dispara
setas. O convés da Capitânia é como o de todos os
outros barcos: imundo, cheio de baratas, ratos, gente cozinhando ao
lado de banheiros improvisados.
Se falta higiene sobra ajuda espiritual
na Capitânia: sete frades franciscanos e oito padres benzem o
mar todos os dias. Dividem os trinta metros de comprimento do barco,
com outros 185 tripulantes, entre dois escrivães, 78 soldados
e 79 marinheiros. Para a alegria do pouco experiente Cabral, viaja ao
seu lado o velho Duarte Pacheco Pereira, um dos mais tarimbados navegadores
desta época.
Colocar no Oceano toda essa gente e ainda
financiar a construção das embarcações demanda
investimentos altíssimos. O tesouro português não
consegue arcar sozinho com as despesas. Por isso, para montar esta frota,
a maior da história da Europa, o rei dom Manoel se aliou ao dinheiro
de mercadores estrangeiros e nobres lusitanos.
A caravela Nossa Senhora Anunciada navega
graças à associação entre um nobre lusitano
e três mercadores florentinos. A pequena nau mercante da primeira
divisão é resultado da parceria de dom Diogo da Silva
e Meneses, primeiro conde de Porto Alegre, com outros mercadores. O
capital privado nas expedições de conquista mostra o interesse
da jovem burguesia européia em novos mercados para seus negócios.
Mas guardemos as sempre perigosas ligações entre a política
e a economia para o próximo capítulo deste diário
de bordo.
( * ) Ana Beatriz Magno, da equipe do Correio
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