logo-correio.gif (3798 bytes) 500 Anos de Brasil

O MUNDO NA ÉPOCA

O crédito e o câmbio

 

Nome: Piero de Medici, O Gotoso
Período: 1416 a 1469
Cidade: Florença
Quem era: Filho de Cosimo de Medici, poderoso banqueiro florentino. Sucedeu o pai nos negócios, mas tinha sérios problemas de saúde: sofria de gota
Nome: Lorenzo, o Magnífico
Período: 1449 a 1492
Cidade: Florença
Quem era: Herdeiro de Piero,o talentoso Lorenzo combinava astúcia de estadista com gosto pelas artes . Foi o mecenas de vários artistas, como Michelangelo e Botticelli

   Florença, a capital da Toscana, é a cidade dos Medici, a família de banqueiros e benfeitores das artes cujo nome é sinônimo do Renascimento. São ricos e letrados, uma combinação bem florentina. A cidade mantém desde o século XIV um sistema de ensino independente da Igreja Católica. E o que aprendem as crianças — meninos e meninas — nas escolas laicas de Florença? Aprendem a ler e escrever. E algumas, em seguida, aprendem a fazer negócios.

  Ao sair da escola comercial, por volta dos quinze anos, o aprendiz de mercador florentino conhece algorismo (aritmética) e abbaco (contabilidade). Está preparado para aprender, na prática, as técnicas comerciais e financeiras que garantem a Florença, ainda no começo do século XVI, a vanguarda mercantil do mundo: o cálculo dos juros, o uso das letras de câmbio e das notas promissórias, a avaliação dos custos e a escrita dos balanços.

  Historiadores contemporâneos maravilham-se ao descrever os minuciosos livros contábeis e a correspondência comercial das cidades italianas do século XIV em diante. Representam para o historiador da economia e do comércio o mesmo que os mapas, portulanos e astrolábios para os estudiosos das navegações: instrumentos preciosos para a reconstituição de uma época e uma mentalidade.

  A moeda cunhada está se impondo na Europa nesse momento. Substitui aos poucos o simples metal precioso. Estima-se que, no começo do século XVI, há uma proporção de 3 unidades de riqueza circulando na forma de moedas para 4 unidades entesouradas em metal (na forma de barras, lingotes, jóias, travessas e baixelas de ouro e prata).

  O continente convive com extremos nesse aspecto: a moeda vai se impondo, e o florim cunhado em Florença é a mais valiosa e mais cobiçada das moedas. Mas parte da população ainda vive na economia de troca, pré-monetária, enquanto o outro extremo, o mais rico, usa instrumentos financeiros que podemos chamar de modernos.

  O banco de crédito e a letra de câmbio, por exemplo: tinham existido na Antiguidade, sumiram na Idade Média e foram ressuscitados pelos mercadores da península itálica depois que a Europa começou a sacudir as estruturas feudais, a partir do século XI.

  Ou a escrita contábil no sistema de partidas dobradas (em que todas as transações são registradas nas colunas duplas do deve e do haver): uma invenção florentina, ela é a base da contabilidade que usamos até hoje.

  Os florentinos inventam, os mercadores de outras cidades aprendem a usar tudo isso. São banqueiros e mercadores sofisticados que correm a Lisboa, portanto, para se associar ao capitalismo de estado português no empreendimento das navegações.

  O risco vale a pena. O lucro é mirabolante. E a caravela de Bartolomeo Marchionni e seus sócios, a Anunciada, será o primeiro navio da armada de Cabral a chegar de volta a Lisboa, carregada de pimenta, em 23 de junho de 1501. O banqueiro não esquece suas ligações. Apenas quatro dias depois da chegada, escreve a seu poderoso amigo Lorenzo de Medici um relato da viagem. (AM)

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