logo-correio.gif (3798 bytes) 500 Anos de Brasil

O mundo na época

A magia da ciência

 
Imagem medieval do mundo, em Comentarii et Postillas Fratis: na Idade Média, a terra estava parada

   A Renascença guarda uma revolução do olhar. O que muda não é o mundo, mas a forma como os homens o vêem. A natureza deixa de ser o santuário de leis religiosas a ser contemplada e passa a ser um laboratório. É o tempo do homem inaugurar seu domínio sobre a natureza e chocar-se com a religião.
  A primeira batalha travada entre a teologia e a ciência — e a mais notável — foi a disputa astronômica a respeito de quem é o centro do universo, se a terra ou o sol.
  A teoria ortodoxa vigente até então, e rígida como as tábuas de Moisés, formulada por Ptolomeu, dizia que a Terra estava em repouso no centro do universo enquanto o sol, a lua e os outros planetas do sistema solar giravam em torno dela.
  O primeiro herege e ao mesmo tempo cientista dessa Revolução Científica é Copérnico (1473-1543). Sua teoria diz que longe de estar em repouso no centro do Universo, a Terra tem um duplo movimento: gira sobre o próprio eixo e ao redor do sol.
  As descobertas de Copérnico estão no livro Sobre as revoluções dos corpos celestes. Um texto que demorou a sair porque se temia a censura eclesiástica.
  Para conseguir emplacá-lo, Copérnico dedicou-o a Igreja Católica e seu editor escreveu um prefácio dizendo que a teoria dos movimentos da terra era proposta apenas como hipótese e não como verdade objetiva. Embora Copérnico tivesse certeza de sua descoberta.
  A figura mais importante da revolução científica que se inicia na Renascença será Galileu Galilei (1564-1642), tanto por seus descobrimentos como por seu conflito com a Inquisição.
  O grande mérito de Galileu foi a combinação da habilidade experimental com o poder de concretizar seus resultados em fórmulas matemáticas. O conhecimento da dinâmica, isto é, das leis que governam os movimentos dos corpos, começa com ele. A Física é a ciência desse tempo. Mas outras começam a andar.
  A zoologia no século XVI ainda não se tornara ciência nem deixara de ser um instrumento de terror e circo. Em Roma, leões eram usados, ainda que raramente, para trucidar criminosos. Uma herança da barbárie da Antiguidade que convivia com os primeiros avanços na área da zoologia. São dessa época os primeiros livros de dissecação de animais e de classificação de peixes e pássaros.
  O mais notável estudo da época, de Pierre Belon, que viria ser conhecido como pai da anatomia comparada, estabelece pela primeira vez as diferenças entre o esqueleto humano e o das aves.
  A vocação estética dos italianos serve de plataforma para os primeiros experimentos científicos na área da botânica. Empenhados em montar uma coleção de plantas, com fim exclusivamente ostentatório, os Medici acabaram por criar os primeiros jardins botânicos da história.
  O mundo se transformava, mas uma área do conhecimento ainda se prendia ao passado medieval: a química. Na Renascença, a química era apenas alquimia com sua dupla finalidade: a transmutação de metais em ouro e a descoberta de um elixir que proporcionasse a vida eterna. Era uma pseudo-ciência de magos. Alquimistas que seriam em breve derrotados pela magia dos cientistas.

(*) Luiz Alberto Weber, da equipe do Correio






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