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O mundo na época
A magia da ciência
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| Imagem medieval do mundo, em Comentarii et
Postillas Fratis: na Idade Média, a terra estava parada |
A Renascença guarda uma revolução
do olhar. O que muda não é o mundo, mas a forma como os
homens o vêem. A natureza deixa de ser o santuário de leis
religiosas a ser contemplada e passa a ser um laboratório. É
o tempo do homem inaugurar seu domínio sobre a natureza e chocar-se
com a religião.
A primeira batalha travada entre a teologia e a ciência
e a mais notável foi a disputa astronômica
a respeito de quem é o centro do universo, se a terra ou o sol.
A teoria ortodoxa vigente até então, e rígida
como as tábuas de Moisés, formulada por Ptolomeu, dizia
que a Terra estava em repouso no centro do universo enquanto o sol,
a lua e os outros planetas do sistema solar giravam em torno dela.
O primeiro herege e ao mesmo tempo cientista dessa Revolução
Científica é Copérnico (1473-1543). Sua teoria
diz que longe de estar em repouso no centro do Universo, a Terra tem
um duplo movimento: gira sobre o próprio eixo e ao redor do sol.
As descobertas de Copérnico estão no livro
Sobre as revoluções dos corpos celestes. Um texto que
demorou a sair porque se temia a censura eclesiástica.
Para conseguir emplacá-lo, Copérnico dedicou-o
a Igreja Católica e seu editor escreveu um prefácio dizendo
que a teoria dos movimentos da terra era proposta apenas como hipótese
e não como verdade objetiva. Embora Copérnico tivesse
certeza de sua descoberta.
A figura mais importante da revolução científica
que se inicia na Renascença será Galileu Galilei (1564-1642),
tanto por seus descobrimentos como por seu conflito com a Inquisição.
O grande mérito de Galileu foi a combinação
da habilidade experimental com o poder de concretizar seus resultados
em fórmulas matemáticas. O conhecimento da dinâmica,
isto é, das leis que governam os movimentos dos corpos, começa
com ele. A Física é a ciência desse tempo. Mas outras
começam a andar.
A zoologia no século XVI ainda não se tornara
ciência nem deixara de ser um instrumento de terror e circo. Em
Roma, leões eram usados, ainda que raramente, para trucidar criminosos.
Uma herança da barbárie da Antiguidade que convivia com
os primeiros avanços na área da zoologia. São dessa
época os primeiros livros de dissecação de animais
e de classificação de peixes e pássaros.
O mais notável estudo da época, de Pierre
Belon, que viria ser conhecido como pai da anatomia comparada, estabelece
pela primeira vez as diferenças entre o esqueleto humano e o
das aves.
A vocação estética dos italianos serve
de plataforma para os primeiros experimentos científicos na área
da botânica. Empenhados em montar uma coleção de
plantas, com fim exclusivamente ostentatório, os Medici acabaram
por criar os primeiros jardins botânicos da história.
O mundo se transformava, mas uma área do conhecimento
ainda se prendia ao passado medieval: a química. Na Renascença,
a química era apenas alquimia com sua dupla finalidade: a transmutação
de metais em ouro e a descoberta de um elixir que proporcionasse a vida
eterna. Era uma pseudo-ciência de magos. Alquimistas que seriam
em breve derrotados pela magia dos cientistas.
(*) Luiz Alberto Weber, da equipe do Correio
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