logo-correio.gif (3798 bytes) 500 Anos de Brasil

O mundo na época

A revolução livreira

    Enquanto Caminha está escrevendo sua carta com bico de pena e letras desenhadas sobre um pergaminho, a Europa vive uma revolução nas artes gráficas. A imprensa está nascendo. Um ourives alemão de nome Johann Gutenberg descobriu que é possível reproduzir em papel as letras do alfabeto. Tomou emprestado uma antiga técnica de produzir moedas prensando metais numa matriz e inventou a tipografia. A genialidade Gutenberg foi perceber que era possível usar matrizes separadas para cada uma das letras, permitindo assim todas as combinações silábicas. Para imprimir usou uma engenhoca chamada prelo (confira o processo ao lado).
  A descoberta de Gutenberg encerrou séculos de manuscritos e iniciou o tempo dos livros. Na realidade desde o século XI, os chineses conhecem o princípio de produção de livros com tipos gráficos móveis, mas a tecnologia teve muito mais impacto no Ocidente porque era mais adequada ao nosso alfabeto do que às centenas de ideogramas chineses. Depois de dois anos de trabalho, Gutenberg conseguiu, em 1455, a primeira prova concreta de sua façanha. Imprimiu a Vulgata, tradução latina da Bíblia.
  A Vulgata foi o primeiro de uma série de livros. Estimularam o hábito de leitura, ajudaram a reduzir o analfabetismo e popularizaram o conhecimento literário, antes privilégio dos poucos sábios medievais que dominavam a tradução dos manuscritos. Também abriram um novo mercado de trabalho. No final do século XV, havia cerca de mil tipografias, espalhadas por mais de 250 localidades européias. No início do século XVI, circulavam pela Europa de 30 mil edições literárias e pelo menos 9 milhões de exemplares — para demonstrar o perfil elitista dos manuscritos, basta registrar que em todo o século XV circularam apenas 50 mil manuscritos.
  Depois da Bíblia, cresceu o interesse por obras resgatadas da Antiguidade. Os europeus devoraram textos de Ovídio, Cícero e Virgílio. Escolas e universidades compraram centenas de brochuras, as bibliotecas começaram a montar seus acervos. Em 1460, inaugurou-se a xilogravura. Estava inventado o livro ilustrado. Em 1485, os gráficos imprimiram várias cores numa mesma página. Criaram o livro colorido. Como é hoje. Passados cinco séculos, nem a Internet derrotou a revolução livreira. E, graças a Gutenberg, podemos hoje nos deliciar com a carta de Pero Vaz de Caminha.

(*) Ana Beatriz Magno, da equipe do Correio


Essa reconstrução de uma impressora primitiva mostra os mecanismos usados para fazer uma impressão. Na preparação, a fôrma era colocada sobre o mármore, os tipos recebiam tinta e uma folha de papel era presa ao tímpano. Dobrada sobre o tímpano, a frasqueta expunha apenas a área do papel a ser impressa. As duas partes eram então dobradas sobre a forma e o conjunto, empurrado sob platina. Uma alavanca enfiada no eixo baixava a platina.






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