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O quadragésimo terceiro
dia da viagem
Um dia decisivo
Os barcos viram para o sudoeste, a tripulação
canta para celebrar a Páscoa. Franceses e flamengos mudam a música
Domingo, 19 de abril de 1500. É um dia decisivo
para o destino desta frota. Os ventos de leste sopram forte, os 12 navios
navegam rápido, com mais de dez nós de velocidade. Trocaram
o rumo sul sudoeste, pelo franco sudoeste. Significa
que, como nunca nesta jornada, os barcos estão apontados para
o oeste.
(500 anos depois: o almirante Max Justo Guedes, respeitado especialista
em navegação e estudioso da viagem do descobrimento brasileiro,
defende que neste ponto Cabral mudou propositalmente de direção.
Queria encontrar as novas terras, pressentidas em 1498 durante a viagem
de Vasco da Gama. Tal busca não atrasaria a viagem
nem o desviaria de seu objetivo. Por isto, creio que, neste trecho,
o rumo foi fechado sobre a provável terra, explica
Guedes, em seu artigo O Descobrimento do Brasil, publicado em setembro
de 1999, na revista portuguesa Oceanos)
Hoje é domingo de Páscoa. Os marujos comemoraram
com missa, ceia, vinho e música. Frei Maffeu, um italiano que
mal arranha o português, tocou comportadas melodias sacras em
seu pequeno orgão. Os marujos preferem as notas alegres saídas
da gaita de foles de Gaspar da Gama, judeu e tradutor desta frota. (Daqui
a sete dias a música de Gaspar da Gama terá serventia
diplomática, seduzirá os índios tupinambás,
nas areias do sul da Bahia, e será um dos belos exemplos da hospitalidade
indígena e do inicial deslumbramento português com os nativos.
Nosso gaiteiro logo meteu-se com eles a dançar, tomando-os
pelas mãos; e eles folgavam e riam, e o acompanhavam muito bem
ao som da gaita. Depois de dançarem, fez-lhe ali, andando no
chão, muitas voltas ligeiras e o salto mortal, de que eles se
espantavam muito, e riam, e folgavam, anotará um
encantado escrivão Pero Vaz de Caminha).
(*) Ana Beatriz Magno, da equipe do Correio
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