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O mundo na época

Artigo de Luxo

 
Retrato de Menina Escrevendo, de Hyeronymus Bosch(1452-1516): às mulheres da burguesia era permitido aprender a ler e escrever

  A educação nos séculos XV e XVI era traçada no berço. A decisão sobre o que deveria estudar o reém-nascido, para o quê deveria ser preparado, dependia do sexo do bebê e, principalmente, do tamanho da fortuna do pai.
  Estudar era para poucos. A popularização dos colégios começará apenas na segunda metade do século XVI, quando as ordens religiosas — principalmente os jesuítas — começam a investir na criação de escolas que aceitam qualquer criança. A Companhia de Jesus criará em apenas 20 anos, 40 escolas, principalmente em Portugal e na Espanha. Mas, antes do investimento dos padres, educação era artigo de luxo.
  Os filhos homens da burguesia podiam escolher entre os colégios existentes e os professores particulares. A escolha cabia aos pais, mas criava polêmicas discussões entre os estudiosos da educação renascentista.
  Havia aqueles que defendiam as escolas, por permitirem que os meninos fizessem amizades de acordo com sua classe social. Do outro lado estavam os que acreditavam nas qualidades de um preceptor, o professor que seria mais capaz de desenvolver o potencial de seus alunos.
  A segunda idéia era a mais agradável à burguesia. Quanto mais rica a família, mais sua casa favorecia o ambiente de estudo. Começam a aparecer as primeiras bibliotecas particulares que, mesmo sendo dirigidas aos adultos, permitem à criança o acesso aos livros que a invenção da imprensa começa a popularizar.
  A educação dos afortunados, então, começa cedo. Defende-se que pais e mães instruídos têm o dever de começar a trabalhar as primeiras letras com os bebês. A partir dos sete anos, o filho recebe um ou mais professores, que vão lhe ensinar a gramática, o latim e o grego, a matemática, a física e as demais ciências. Nesta época, as universidades já se tornaram centros reconhecidos, e é para lá que muitas sonham mandar seus filhos homens.
  Às mulheres, cabe um outro papel. Os mesmos que defendem a educação masculina, muitas vezes condenam veementemente a instrução das meninas. Maffeo Veggio, um estudioso italiano, escreveu em 1440 que a mulher deve ‘‘ser educada, por santos ensinamentos, para levar uma vida regular, casta, religiosa e para dedicar-se constantemente a trabalhos femininos.’’
  A sorte, mais uma vez, estava ao lado daquelas nascidas em famílias ricas. Esperava-se que uma dama de alta sociedade, com responsabilidades sociais, fosse capaz de ler e escrever, até mesmo falar o grego e o latim. A menina, então, recebia a educação das artes, se não da ciência, junto com a preparação para ser esposa e mãe.
  No lado de baixo da pirâmide social, no entanto, ler e escrever era coisa de ricos e padres. A grande maioria da população era analfabeta. As mulheres eram preparadas apenas para o casamento, as responsabilidades de casa, os filhos. Para educá-los, não precisam ser educadas.

(*) Lisandra Paraguassú, da equipe do Correio






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