JOÃO ARNOLFO CARVALHO
Secretário-geral do Fórum das ONGs Ambientalistas do DF |
MARÍLIA LUÍZA PELUSO
Professora de Geografia Urbana da Universidade de Brasília |
SÉRGIO BRANDÃO
Conselheiro do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) |
TÂNIA BATTELLA
Arquiteta, assessora parlamentar, conselheira de políticas urbanas
do IAB |
| ‘‘Sendo coerente com as determinações da I Conferência
Ambiental DF 2000, a solução é uma moratória ou suspensão imediata
nos assentamentos e parcelamentos novos e mesmo os já implantados,
até que se faça o Zoneamento Ecológico-Econômico do Distrito Federal
e Entorno. Depois de definido o quê e onde se pode construir e implantar
alguma atividade econômica, se poderia dar continuidade à expansão
natural do DF. Os organismos internacionais estão preocupados com
essa situação e são sensíveis à pressão das ONGs e opinião pública
internacional. Para essa ação emergencial é preciso vontade política.
O GDF toca plano de governo que prevê vários parcelamentos. Se isso
continuar, a tendência é piorar ainda mais a qualidade de vida que
um dia tivemos em Brasília.’’ |
‘‘Esse problema acontece em todas as cidades que
têm um mercado imobiliário atuante, como é o caso daqui. Em Brasília,
a particularidade é que parte das terras pertence ao GDF. Deveriam
estabelecer, por meio de planejamento adequado, áreas que possam
ser comercializadas para que o preço da terra não suba em demasia.
As novas áreas criadas com o documento Brasília Revisitada (setores
Sudoeste e Noroeste), em 1985/1987, são licitadas pelo governo de
forma tão lenta — com a intenção de se obter uma valorização das
terras —, que isso acaba resultando nas invasões de terras públicas
e nos parcelamentos irregulares de terras particulares. Enfim, é
preciso estabelecer novas áreas de expansão e implementar as que
já existem.’’ |
‘‘O preço da terra é caríssimo e não faz sentido
doá-la. Não se deve dar o peixe, mas ensinar a pescar. Terra tem
que ser vendida por preço justo e com condições de financiamento
adequadas. É preciso conscientizar a população que Brasília vem
sendo esculhambada há muito tempo. É preciso dar um basta na proliferação
de quiosques e trêilers. Não existe harmonia urbanística. Aqui funciona
o ‘‘se é de graça, eu também quero’’. A população deve ter consciência
de que a cidade é a nossa casa. Os homens (os governos) passam,
a cidade fica. A população tem de cobrar dos seus representantes
moral, vergonha na cara, respeito e dignidade para com o bem público.
É necessária uma Campanha Para Salvar Brasília nos moldes da que
foi feita para a Paz no Trânsito.’’ |
‘‘O governo deve ter a vontade política de impedir
o retalhamento do solo. É preciso fiscalização efetiva, coisa que
hoje não existe. Que se estabeleçam critérios urbanísticos de conhecimento
público para a análise e regularização dos condomínios. A análise
e regularização dos condomínios deve voltar ao órgão técnico, que
dispõe de arquitetos e outros profissionais da área, com conhecimento
para isso. E não como acontece hoje, quando a análise é feita pela
Secretaria de Assuntos Fundiários, de acordo com critérios políticos.
Que se façam estudos do ponto de vista ambiental e econômico, o
zoneamento ecológico-econômico. Que continue a se desenvolver e
aprovar os planos diretores locais e que a população possa participar
das decisões sobre uso e ocupação do solo.’’ |