Artigo

O Cardeal e Brasília

 

Pe. José Carlos Brandi Aleixo

  O nome da capital de nosso país está associado indelevelmente à oportuna gestão do Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta. Em carta datada de 20 de novembro de 1956, escreveu ele a seu irmão Joaquim: ‘‘A propósito de Brasília, quero contar-lhe que fui eu quem sugeriu esse nome ao Dr. Israel, que o apresentou ao Presidente, que, por sua vez, o aprovou e oficializou. Você bem poderia compor um hino a Brasília.’’ (Ferrari, Salvador. Cardeal Motta. Belo Horizotne, 1990, p. 21).

  Na mesma missiva, relatou que, na véspera, pessoalmente, o Presidente Juscelino o convidara para oficiar a Primeira Missa de Brasília. Celebrou, solenemente, esta Eucaristia, aos 3 de maio de 1957, no local até hoje assinalado por um cruzeiro, entre o Memorial JK e a Catedral Militar. Ao término dela, em discurso antológico, dirigido a uma multidão de cerca de 15 mil pessoas, disse:

  ‘‘O descobrimento em 1500, a independência em 1822 e, na atualidade, a fundação desta nova capital metropolitana, no centro do país, são os três marcos culminantes da vida nacional... Brasília será a matriz, nutriz e protetriz da vida nacional, integral e total... A nação vai agora tomar posse do que é seu e ter o seu verdadeiro centro de gravidade. Brasília vai ser o trampolim mágico para a integração da Amazônia na vida nacional’’ (Brasília, Terra de Fé, 1957).

  Cabe recordar que já aos 26 de maio de 1961, em conferência sobre a Amazônia, pronunciada no Paço Municipal de Santos, o Cardeal Motta advogara a construção de uma via que unisse o grande porto marítimo paulista ao porto fluvial paraense de Santarém: Brasil.’’ (‘‘Cardeal Motta, Reminiscências. São Paulo, Loyola, 1990 p. 44).

  Hoje, é fácil entender que este sonho se transformou em realidade com as estradas asfaltadas que unem Santos a Brasília e esta a Belém do Pará.

  O Presidente Juscelino Kubitschek, amigo do eminente prelado mineiro, desde o tempo de estudante de Medicina, após declarar que o quadro da Primeira Missa não seria levado para o esquecimento, enfatizou: ‘‘Com a Primeira Missa, planta-se em Brasília uma semente espiritual. Que a cidade cresça sob o signo da esperança, da justiça e da fé.’’ (Kubitschek, Juscelino. 50 anos em 5. Meu caminho para Brasília. Rio de Janeiro, Bloch, 1978, Vol III, p.146).

  A Primeira Missa do Brasil, celebrada em 1500 por Frei Henrique de Coimbra, está imortalizada em obras primorosas de Vítor Meireles e Cândido Portinari. Oxalá outros inspirados artistas retratem para a posteridade a cena memorável da Primeira Missa Solene de Brasília. Tais quadros serão também justa homenagem à fé e patriotismo do Cardeal Motta, excelso patrono de uma das cadeiras do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, operosamente presidido pelo Cel. Affonso Heliodoro dos Santos.

(*) Pe. José Carlos Brandi Aleixo é membro do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal e da Academia Brasiliense de Letras.



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