FALTAM 20 DIAS PARA BRASÍLIA COMPLETAR 40 ANOS

Brasília se diverte (e quem disse que não?)

O lugar-comum ‘‘Brasília não tem nada para se fazer’’ deixou de existir. Hoje a cidade oferece lazer para todos os gostos

 

Leonardo Meireles
Da equipe do Correio

Paulo de Arújo

Luís Henrique mora na Asa Norte para ficar perto da Água Mineral: ‘‘uma das paixões’’ do paulista

Há 28 anos, Marco Augusto Loures veio para Brasília com a família, direto de Juiz de Fora (MG). O pai, Geraldo, vinha trabalhar na sede da Empresa de Correios e Telégrafos, e trouxe a mulher, Jacyra, com os seis filhos. Uma história comum, muito parecida com a da maioria das pessoas que povoaram a capital federal no começo dos tempos. Marco Augusto agora teria que se adaptar e procurar o que fazer aqui.

  Era 11 de fevereiro de 1975. ‘‘Não esqueço a data porque foi um choque danado. Tinha 13 anos, uma vida em Juiz de Fora e fiquei meio perdido aqui’’, conta Marco, que agora trabalha na Telebrasília. No começo, a 712 Norte, para onde mudou, só tinha algumas casas e dois prédios. Havia espaço suficiente para Marco, os irmãos e amigos jogarem bola sem se preocupar com trânsito. Assim ele foi se acostumando. Na adolescência, o mineiro-brasiliense já estava totalmente à vontade. Freqüentava o Gilberto Salomão, o Beirute, festinhas e clubes.

  ‘‘(Brasília) É boa se você tem um projeto de vida, se gosta de fazer exercício, de acordar cedo. Mas se você é uma pessoa notívaga, é o tédio’’, já disse um especialista em Brasília, Renato Russo, líder da banda brasiliense Legião Urbana, morto em 1996. Talvez ele estivesse exagerando. Ainda mais porque hoje os bares e boates espalham-se pela cidade como pragas (para alguns). Só no ano passado foram inauguradas 26 casas noturnas, segundo a Administração de Brasília. ‘‘O mais surpreendente são as filas. A noite de Brasília virou um sucesso’’, elogia Emivaldo Silva, chefe da Comunicação Social da Administração.

  Para Bárbara Watrin, 22 anos, estudante de psicologia da Universidade de Brasília, existem opções, mas elas são caras. Segundo ela, que sai para a noite uma média de cinco vezes por semana, o problema existe em qualquer lugar no Brasil. ‘‘Se você sai muito, acaba repetindo os lugares, mas é assim em qualquer lugar’’, explica.

  Bárbara fez uma pesquisa para o seu curso sobre qualidade de vida na cidade, com 290 jovens de 14 a 18 anos. A maior preocupação, segundo a pesquisa, era o lazer. Eles reclamaram muito das poucas oportunidades que tinham para sair à noite. Mas há o fato de eles não poderem entrar em boates, por causa da idade, e não terem carro para sair. ‘‘Falaram muito bem dos shoppings, porque é onde eles podem ir’’, diz a estudante. Ela própria era uma adepta de uma das diversões mais comuns para os jovens brasilienses. ‘‘Ia muito para os shoppings, com minha jaqueta jeans e meus amigos, para passar a tarde lá’’, lembra. ‘‘Shopping é o que Brasília mais tem.’’

AR LIVRE   

Se para o notívago as opções ainda estão melhorando, para quem gosta de exercício e acordar cedo, sempre foi bom. Brasília pode não dar tempo para seus cidadãos, mas espaço é o que não falta. E é exatamente uma das principais características da cidade. Afinal, quem tem um lugar que possui um parque com uma área de 4,2 milhões de metros quadrados, onde se encontraram os personagens Eduardo e Mônica, de Renato Russo, não pode reclamar de falta de espaço. Diariamente, freqüentam o local uma média de 3 mil pessoas. No final de semana esse número chega a 50 mil.

  ‘‘Ultimamente tem ficado difícil por causa do trânsito, mas comparado a outras cidades, Brasília possui áreas amplas para o lazer’’, opina Luís Henrique Palma, 41 anos. Kiko, como é conhecido, chegou na cidade aos 2 anos de idade, vindo de São Paulo. Longe do litoral, ele e os brasilienses descobriram uma diversão típica da capital: os clubes. São 36, no total, que desde o começo da cidade fizeram a festa dos sem-praia.

  Kiko freqüenta até hoje o Iate Clube, um dos mais tradicionais da cidade. Além das piscinas, a maioria fica à beira do Lago Paranoá, outro ponto de diversão. Claro que nadar no Lago já não é tão seguro hoje, por causa da poluição e do risco de afogamento. Mas esportes como remo, canoagem, vela, pesca e jet ski são praticados por, pelo menos, 1.200 pessoas todo final de semana, fora aquelas que vão para os clubes à beira do Lago.

  Empregado do Fundo de Pensão da Caixa Econômica Federal, Kiko mora na Asa Norte, por um motivo especial. Fica mais perto da Água Mineral. ‘‘É outra das minhas paixões’’, observa, elogiando a área de 32,8 mil hectares do Parque Nacional de Brasília, uma das maiores reservas ecológicas dentro de um espaço urbano no mundo. Apesar de mal-cuidado e com suspeita de contaminação, é ainda uma das diversões mais comuns entre os brasilienses, por ser barata (apenas R$ 3,00) e ter piscinas e a famosa Trilha da Capivara. Cerca de 8 mil pessoas freqüentam a Água Mineral todo final de semana.   

CHÁCARAS

  Quem quiser uma área mais afastada, também tem. Só de hotéis-fazenda, são pelo menos nove próximos a Brasília. Mas uma das diversões preferidas dos brasilienses são as chácaras, sítios e fazendas. Marco Augusto, o mineiro que veio para cá menino, é um dos adeptos desse tipo de lazer. A família tem uma chácara a 60 km de Brasília. Uma areazinha fora da cidade, boa para se esquecer da correria do dia-a-dia e se reunir com a família. ‘‘Compramos em 1984, porque minha mãe gostava muito de pescar. Depois virou uma área de lazer e hoje juntamos todo mundo da família por lá’’, diz Marco.

  Mas nem sempre o que os brasilienses fazem com seu tempo livre significa agitos da noite ou caminhadas perto da natureza. Tem gente que visita presos na Papuda, faz trabalhos sociais ou aproveita as horas que sobram para cuidar do espírito. Letícia Morum, 25 anos, moradora da 713 Sul, é uma delas. Professora de educação física e personal trainner, a brasiliense tem toda uma vida profissional estruturada. Longe do trabalho, ela só quer saber da Igreja.

  Letícia faz parte, há 12 anos, do Movimento Escalada de Brasília, um grupo católico da Arquidiocese existente na cidade desde 1975. Todo o tempo livre que a professora tem, ela dedica ao grupo religioso e à evangelização de jovens. ‘‘A Igreja oferece festa, diversão e tudo em um ambiente com Deus. E tudo o que faço por Deus me realiza’’, explica Letícia, mais conhecida no Movimento com Let’s. Para ela, Brasília oferece muito para seus cidadãos fazerem nas horas vagas, com relação a ajuda ao próximo. ‘‘Conheço muitas pessoas que foram para fora e não encontraram o espaço para grupos deste tipo’’, conta.

  Programas noturnos, juvenis, religiosos, ecológicos, econômicos. Brasília não é mais aquela, sem opções. O próprio Renato Russo, que amava e odiava a cidade, sabia disso: ‘‘Muita gente reclama que aqui não tem nada pra fazer, mas se você procura, você acha’’.


 
Points de agito

Esportistas e ecológicos
Parque da Cidade
Água Mineral

Patricinhas e Mauricinhos
Scape (CLS 309 Bloco D Loja 19)
Basic (CLS 413 Bloco D Loja 36)
Café Cancún (SCN Quadra 2 Bloco D Loja 52 Liberty Mall)
Fashion Club (SCN Quadra 2 Bloco D Loja T43 Liberty Mall)
Gilberto Salomão (SHIS QI 5 Lago Sul)
Frei Caneca (EQS 110/111 Cine Karim)

ROCK N’ ROLL
Teatro Garagem (SEPS 713/913 Bloco F Sesc)
Gran Circo Lar (Eixo Monumental, ao lado da Rodoviária)
Gate’s Pub (CLS 403 Bloco B Loja 34)

ECONÔMICOS
Parque da Cidade
Água Mineral

DESCOLADOS
Beirute (CLS 109 Bloco A Loja 2)

ARTÍSTICO
Teatro Nacional (Setor Cultural Norte, em frente ao Conjunto Nacional. Lá também fica o Museu de Arte Moderna de Brasília)
Teatro Mapa’ti (HCGN 707 Bloco K Casa 13)
Teatro dos Bancários (EQS 514/515 Lote 1)
Espaço Cultural da Caixa (Setor Bancário Sul Quadra 3 Lote 34)
Clube do Choro (Setor de Divulgação Cultural, ao lado do Centro de Convenções)
Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul)

SHOPPINGS
Pátio Brasil (SCS Quadra 7 Asa Sul)
ParkShopping (SCEES Lote 6580 Guará)
Liberty Mall (SCN Quadra 2 Bloco D Asa Norte)
Brasília Shopping (SCN Quadra 5 Bloco A Asa Norte)
Conjunto Nacional - Setor de Diversão Norte - Asa Norte
Terraço Shopping (SHC AOS 1 Área especial 2/8 Lote 5 Octogonal)

Hotéis-Fazenda
*Agroturismo Buriti Alegre - DF-001, Km 42,5, em Santa Maria. A propriedade fica a 35km do Plano Piloto. Informações e reservas: 500-5069, 272-1480, 986-8899 e 981-5069 Village dos Colibris BR-040, Usina Saia Velha, na Área Alfa.
* Village dos Colibris - fica a 40km do Plano Piloto e funciona mediante reserva prévia. Informações e reservas pelos telefones 226-0163, 226-4759 ou 981-5226, ou pela Internet:www.turismoruralDF-.com.BR-/villagedoscoliBR-is/
*Fazenda Cabugi - BR-060 até Alexânia. Depois é sinalizado. Telefone: 62-336-9066
* Fazenda Hotel Mestre D’Armas - Rodovia GO-435 km 32, Padre Bernardo. Distância: 120km de Brasília. Reservas: 503-3778, 503-3780, 361-5172, 361-7676, 966-3333, 966-2222
*Chácara Fernanda Alexânia - a 80 quilômetros de Brasília. Chegando na cidade, é só virar à direita depois do Posto Shell, depois é preciso seguir mais 2,6km de estrada de terra. Telefones: 974-7474 e 336-9044
*Fazenda Stracta - Prosseguir pela DF—250 por 14km até encontrar um balão. Virar à direita na placa que indica Unaí (DF-130). Seguir por esta via durante 16km até aparecer uma placa indicando DF-260. Virar à esquerda da estrada. Telefones: 500-1011/962-3896/345-5587.
* Hotel Fazenda Raizama - BR-060 até Alexânia. Depois é sinalizado. Telefones: 975-2943 ou 972-4846
* Pousada Caliana - Saída para Unaí — 3km após o trevo (a 29km da Rodoviária). Funciona 24 horas. Reservas: 382-2740/500-0714.
* Fazenda São João - No km 218 da GO-118 (município de Teresina de Goiás, Chapada dos Veadeiros — após Alto Paraíso). Informações: 972-4404/321-1102.

Cachoeiras
*Colorado - A sete quilômetros do Plano Piloto, dentro da Área de Preservação Ambiental da Cafuringa. A entrada é livre, por uma estrada de terra. É necessário andar aproximadamente 1,5 km para chegar até ela.
*Poço Azul - Seguindo um pouco mais pela DF-001 (cerca de 40km), entrando à direita na DF-220 (em direção a Brazlândia e Padre Bernardo) se chega a uma entrada à direita onde há uma placa indicando o Poço Azul. A entrada para a Cachoeira fica a menos de 2km.
* Complexo turístico Itiquira - No município de Formosa (GO), com a acesso pela BR-020/030 em estrada asfaltada e sinalizada, a 95km de Brasília. No local, há quatro cachoeiras, uma corredeira, três cascatas, três saltos, três poços, um mirante, um cânion e 36 nascentes de água mineral.
* Salto do Tororó - O Córrego Caxeta, de águas cristalinas, forma várias corredeiras pequenas, sendo que, em um desses desníveis, surge um belo salto de aproximadamente 15 metros de altura, rodeado por vegetação do cerrado típico. O acesso é pela QI 23 do Lago Sul em direção do Jardim Botânico. No trevo, pegar a DF-140, seguir 5km e entrar à direita, em estrada não asfaltada por mais 2km.
* Saia Velha - Fica a 35km do Plano Piloto, sendo o acesso feito pela BR-040. A entrada no local é paga. O visitante pode se esbaldar em banhos nas cachoeiras ou nas piscinas de água corrente. Além disso, há um restaurante.
* Cachoeira do Pipiripau - Está localizada a 58km do Plano Piloto, perto da cidade de Planaltina, com acesso pela saída norte (BR-020), até o quilômetro 19, onde se entra à direita, seguindo a DF-410 por sete quilômetros de estrada de terra. Fica em frente à placa ‘‘Taquara’’.
* Salto de Corumbá - A 150km de Brasília, pela EPCLC BR-070 até a BR-414, chega-se ao local. Apesar da pouca altura de queda, de 10 a 12 metros, a muralha de onde cai o salto formado pelo rio Corumbá atinge 50 metros. Junto à base, há uma piscina de água natural, além de pequenas praias ao longo do rio.

 


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