FALTAM 18 DIAS PARA BRASÍLIA COMPLETAR 40 ANOS
 

Muito foi feito antes de JK

 
 
 

  Depois de fincada a pedra fundamental da nova cidade, em 1922, muito se falou, mas pouco se fez para a transferência da capital do país para o Planalto Central. A Constituição de 1934, previu, no artigo 4º das Disposições Transitórias, a transferência da capital da União ‘‘para um ponto central do Brasil’’.

  Três anos depois, impõe-se o Estado Novo e a Constituição outorgada passa ao largo do sonho de mudança da capital. Passados os anos de ditadura getulista, redemocratizado o país, o artigo 4º das Disposições Transitórias da nova Constituição determina a transferência da capital do país para o Planalto Central e que seja criada uma comissão para definir o lugar onde a cidade seria construída. Em novembro de 1946 é nomeada a Comissão de Estudos para a Localização da Nova Capital do País, chefiada pelo general Djalma Poli Coelho.

  Se a proposta da Missão Poli Coelho fosse levada ao pé da letra, o Distrito Federal teria 77.250 km² e, um de seus limites seria a congruência dos estados de Goiás, Minas Gerais e Bahia. A área definida era consideravelmente maior do que a proposta pela Missão Cruls (14.400 km²). Mais que aumentar a área do DF, o general enxergou na ocupação do interior do país um passo em busca do desenvolvimento:

  ‘‘(...)Essa Terra Central, que pertence integralmente ao Brasil, não está entretanto ocupada pelos brasileiros (...). A grandiosidade de sua área está em violento contraste com a mediocridade de sua economia. Entretanto, esta Terra Central será perfeitamente habitável e aproveitável, se não faltar ao Brasil a autodeterminação indispensável a qualquer Nação que não deseja ser relegada para os planos secundários da vida internacional, com risco para a sua própria existência.’’

  Mas só em 1953, o presidente Getúlio Vargas sanciona a Lei 1803, que autoriza o governo a realizar ‘‘estudos definitivos’’ para a escolha do lugar da nova capital. Para isso, deveria ser levado em conta: clima e salubridade favoráveis, facilidade de abastecimento de água e energia elétrica, facilidade de acesso às vias de transporte terrestre e aéreo, topografia adequada, solo favorável às edificações e existência de materiais de construção, proximidade de terras para culturas, paisagem atraente.

  Esses estudos deveriam ser feitos, determinava a Lei, ‘‘na base de uma cidade para 500 000 habitantes’’. Em torno do sítio da nova capital deveria ser demarcada uma área ‘‘aproximada de 5 mil km²’’, bem menor que as sugeridas pelas missões Cruls e Poli Coelho. O Congresso definiu um retângulo de 52 mil km2 dentro do qual seria escolhido o território do Distrito Federal.

  Cinco meses depois, Getúlio Vargas cria a Comissão de Localização da Nova Capital Federal, essa sim com a incumbência de, definitivamente, escolher o melhor lugar para Brasília (que ainda nem nome tinha). E isso foi feito com a ajuda empresa norte-americana Donald J.Belcher, contratada para fazer análise de fotografias aéreas e para indicar os cinco melhores sítios de 1 mil km² — num deles a nova cidade seria erguida. Cinco sítios foram demarcados: Castanho, Azul, Verde, Amarelo, Vermelho. É no Castanho, escolhido pela comissão, que se ergue o Distrito Federal.

  A região encantou os técnicos da Donald Belcher, como é de se deduzir pelas primeiras linhas do relatório: ‘‘O Brasil deve ser louvado pela fato de ser a primeira nação da História a basear a seleção do sítio de sua capital em fatores econômicos e científicos; bem como nas condições de clima e beleza.’’ (C.F.)

 


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