FALTAM 17 DIAS PARA BRASÍLIA COMPLETAR 40 ANOS
 

Como a cidade poderia cuidar melhor de seu patrimônio histórico?

 
 
 
GILSON PARANHOS Presidente da seção DF do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) GERALDO SÁ NOGUEIRA BATISTA Diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB NILTON ISMAEL ROSA
Professor de História de Brasília da Fundação Educacional do DF
CARLOS MAGALHÃES Arquiteto, ex-secretário de Obras, coordena Conselho de Preservação de Brasília
‘‘É preciso divulgar ao máximo o motivo do tombamento para conscientizar a população sobre o seu valor. Os representantes dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e a imprensa precisam conhecer um pouco mais o porquê de a cidade ter sido tombada e investir nisso. A Fundação Educacional deve conscientizar estudantes sobre a importância do tombamento para Brasília. Os órgãos envolvidos (Iphan, Depha) têm que respeitar esse tombamento, que é uma conquista da cidade. É preciso ter vontade política para melhorar as condições de trabalho e salariais dos profissionais que trabalham nesses órgãos. Punição severa aos contraventores das leis de tombamento. O incêndio da Igreja da Vila Planalto é um absurdo. Deve-se ir às últimas conseqüências para punir os culpados.’’ ‘‘A cidade é um organismo vivo e não se pode ver o tombamento como um museu estático. Ela é passível de transformação, mas cada caso é um caso. Não se pode ter regras do tipo ‘não se pode fazer nada’. Mas também não se pode deixar as coisas ao gosto da especulação imobiliária. Mas esta também demanda uma ética que ainda não existe. É preciso afastar a pressão da área tombada. As novas atividades comerciais, de serviços públicos e outros, e de lazer devem ser instaladas ao longo do corredor de transportes para desafogar o Plano Piloto. Que se tenha maior fiscalização nas reformas das áreas residenciais para não descaracterizar o patrimônio edificado. E que se faça uma campanha de educação e conscientização da população sobre a importância do tombamento de Brasília.’’ ‘‘Definir políticas culturais específicas para a preservação do patrimônio em madeira e para as outras áreas da cidade. Retirar todos os quiosques e trêilers e impedir a instalação de novos. Multa para quem insistir no assunto. Que as entidades de classe e as associações comunitárias mobilizem a população para a consciência do valor histórico do patrimônio. Introduzir conteúdos sobre o assunto nas disciplinas de História de Brasília e de Estudos Sociais. Capacitar professores para levar os alunos a refletirem sobre a história e um não à decoreba. Secretaria de Turismo deve criar roteiros históricos sobre a cidade. Que haja vontade política do governo para definir um orçamento para a revitalização do patrimônio.’’ ‘‘Brasília só será efetivamente preservada se a população participar desse processo. O governo tem de fazer uma campanha para explicar o tombamento, desfazer os mitos que há a respeito. Não existe essa coisa de exagerada de setores. Há predominância de certas áreas, e só. Deve-se industrializar as cidades satélites e liberar os gabaritos para construções dessas cidades. Isso diminuiria a pressão sobre o Plano Piloto, que não pode conter toda a expectativa em torno de emprego e moradia das pessoas que vivem aqui. O governo precisa trabalhar junto com os estados limítrofes para que se organize o crescimento do Entorno do Distrito Federal. Não se pode permitir que a especulação imobiliária tome conta do processo de crescimento de Brasília.’’
 


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