| GILSON PARANHOS Presidente da seção
DF do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) |
GERALDO SÁ NOGUEIRA BATISTA Diretor
da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB |
NILTON ISMAEL ROSA
Professor de História de Brasília da Fundação Educacional do DF
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CARLOS MAGALHÃES Arquiteto, ex-secretário
de Obras, coordena Conselho de Preservação de Brasília |
| ‘‘É preciso divulgar ao máximo o motivo do tombamento
para conscientizar a população sobre o seu valor. Os representantes
dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e a imprensa
precisam conhecer um pouco mais o porquê de a cidade ter sido tombada
e investir nisso. A Fundação Educacional deve conscientizar estudantes
sobre a importância do tombamento para Brasília. Os órgãos envolvidos
(Iphan, Depha) têm que respeitar esse tombamento, que é uma conquista
da cidade. É preciso ter vontade política para melhorar as condições
de trabalho e salariais dos profissionais que trabalham nesses órgãos.
Punição severa aos contraventores das leis de tombamento. O incêndio
da Igreja da Vila Planalto é um absurdo. Deve-se ir às últimas conseqüências
para punir os culpados.’’ |
‘‘A cidade é um organismo vivo e não se pode ver
o tombamento como um museu estático. Ela é passível de transformação,
mas cada caso é um caso. Não se pode ter regras do tipo ‘não se
pode fazer nada’. Mas também não se pode deixar as coisas ao gosto
da especulação imobiliária. Mas esta também demanda uma ética que
ainda não existe. É preciso afastar a pressão da área tombada. As
novas atividades comerciais, de serviços públicos e outros, e de
lazer devem ser instaladas ao longo do corredor de transportes para
desafogar o Plano Piloto. Que se tenha maior fiscalização nas reformas
das áreas residenciais para não descaracterizar o patrimônio edificado.
E que se faça uma campanha de educação e conscientização da população
sobre a importância do tombamento de Brasília.’’ |
‘‘Definir políticas culturais específicas para
a preservação do patrimônio em madeira e para as outras áreas da
cidade. Retirar todos os quiosques e trêilers e impedir a instalação
de novos. Multa para quem insistir no assunto. Que as entidades
de classe e as associações comunitárias mobilizem a população para
a consciência do valor histórico do patrimônio. Introduzir conteúdos
sobre o assunto nas disciplinas de História de Brasília e de Estudos
Sociais. Capacitar professores para levar os alunos a refletirem
sobre a história e um não à decoreba. Secretaria de Turismo deve
criar roteiros históricos sobre a cidade. Que haja vontade política
do governo para definir um orçamento para a revitalização do patrimônio.’’ |
‘‘Brasília só será efetivamente preservada se
a população participar desse processo. O governo tem de fazer uma
campanha para explicar o tombamento, desfazer os mitos que há a
respeito. Não existe essa coisa de exagerada de setores. Há predominância
de certas áreas, e só. Deve-se industrializar as cidades satélites
e liberar os gabaritos para construções dessas cidades. Isso diminuiria
a pressão sobre o Plano Piloto, que não pode conter toda a expectativa
em torno de emprego e moradia das pessoas que vivem aqui. O governo
precisa trabalhar junto com os estados limítrofes para que se organize
o crescimento do Entorno do Distrito Federal. Não se pode permitir
que a especulação imobiliária tome conta do processo de crescimento
de Brasília.’’ |