JOAQUIM JOSÉ GUILHERME DE ARAGÃO
Engenheiro civil, professor do Mestrado em Transportes Públicos
da UnB |
RENATO ELY
Presidente da TCBR, Tecnologia e Consultoria Brasileira S.A. |
ANTÔNIO MAURÍCIO FERREIRA NETO
Coordenador Geral de Desenvolvimento Institucional do Ministério
dos Transportes |
NAZARENO STANISLAU AFONSO Vice-presidente
da Associação Nacional de Transportes Coletivos |
| ‘‘É necessário que o poder público e as empresas
dialoguem constantemente com os usuários e a população. Mercado
anda rápido e as estruturas são rígidas e não conseguem acompanhar
as mudanças. O poder público deve investir em pesquisas para saber
como o mercado se comporta. É preciso redesenhar o sistema de transportes
a partir de uma estratégia com base no mercado. Os usuários não
dispõem de informações sobre os serviços. Tem de haver competição
no mercado, com processos licitatórios para escolhas de empresas
mais eficientes e não só manter as empresas que já estão aí. Pelo
que se investiu, o metrô tem de ser concluído. Ele faz parte de
uma solução mais ampla. Criar sistema regulamentado de transportes
que complemente o sistema de ônibus.’’ |
‘‘A receita básica para isso é privilegiar o transporte
coletivo e colocar restrições ao transporte individual. Para cada
cidade, existem demandas diferentes. Na área de Taguatinga, Ceilândia
e Samambaia faz sentido o metrô de alta capacidade, controlado por
computador e com carros a cada 2 ou 3 minutos. Já em Sobradinho
o metrô não seria adequado devido à topografia da região. É preciso
vias exclusivas para ônibus, com sensores de via nos semáforos e
intercessões que privilegiem o ônibus e dificulte a passagem dos
carros individuais. Com um modelo integrado de ônibus, seria necessária
a implantação da tarifa única. Isso tudo, por exemplo, já foi implantado
em Curitiba, que hoje já chegou no seu limite.’’ |
‘‘O sistema de transportes deve ser encarado como
um instrumento do desenvolvimento. É preciso aperfeiçoar a coordenação
das políticas públicas do desenvolvimento urbano do DF em conjunto
com as políticas de uso e ocupação do solo e habitacional. Repensar
a relação entre o poder público e as empresas de transportes para
dar mais competitividade ao setor: utilizar veículos diferenciados
de acordo com as necessidades do mercado, contratos sejam mais flexíveis
e possam ser mais criativos. Fazer um sistema de transportes metropolitanos
realmente integrado e evitar a duplicidade de linhas no mesmo percurso.
Todas as linhas não precisam chegar à Rodoviária, por exemplo. Instituir
o sistema de bilhetagem automática.’’ |
‘‘Integrar o metrô aos ônibus. Vias exclusivas
para ônibus, operando nos principais eixos, o que reduz custos,
aumenta a velocidade do sistema e evita congestionamentos. Criar
diversos terminais rodoviários intermediários que interliguem várias
cidades aos sistemas de distribuição. Equacionar o uso do solo com
o sistema de tranportes. Que parte do lucro da instalação de atividades
comerciais ao longo do metrô, por exemplo, possa ser revertida no
sistema de transportes. Tornar mais eficaz o sistema com maior participação
dos usuários no processo de mudanças das linhas. Não permitir o
transporte clandestino. Que o transporte alternativo ocupe apenas
30% do sistema. Descentralizar atividades públicas, de lazer, de
emprego para as cidades da periferia. Desenvolver planos regionais
de transportes.’’ |