FALTAM 15 DIAS PARA BRASÍLIA COMPLETAR 40 ANOS
 

Como fazer um sistema de transporte público mais eficaz e mais barato?

 
 
 
JOAQUIM JOSÉ GUILHERME DE ARAGÃO
Engenheiro civil, professor do Mestrado em Transportes Públicos da UnB
RENATO ELY
Presidente da TCBR, Tecnologia e Consultoria Brasileira S.A.
ANTÔNIO MAURÍCIO FERREIRA NETO
Coordenador Geral de Desenvolvimento Institucional do Ministério dos Transportes
NAZARENO STANISLAU AFONSO Vice-presidente da Associação Nacional de Transportes Coletivos
‘‘É necessário que o poder público e as empresas dialoguem constantemente com os usuários e a população. Mercado anda rápido e as estruturas são rígidas e não conseguem acompanhar as mudanças. O poder público deve investir em pesquisas para saber como o mercado se comporta. É preciso redesenhar o sistema de transportes a partir de uma estratégia com base no mercado. Os usuários não dispõem de informações sobre os serviços. Tem de haver competição no mercado, com processos licitatórios para escolhas de empresas mais eficientes e não só manter as empresas que já estão aí. Pelo que se investiu, o metrô tem de ser concluído. Ele faz parte de uma solução mais ampla. Criar sistema regulamentado de transportes que complemente o sistema de ônibus.’’ ‘‘A receita básica para isso é privilegiar o transporte coletivo e colocar restrições ao transporte individual. Para cada cidade, existem demandas diferentes. Na área de Taguatinga, Ceilândia e Samambaia faz sentido o metrô de alta capacidade, controlado por computador e com carros a cada 2 ou 3 minutos. Já em Sobradinho o metrô não seria adequado devido à topografia da região. É preciso vias exclusivas para ônibus, com sensores de via nos semáforos e intercessões que privilegiem o ônibus e dificulte a passagem dos carros individuais. Com um modelo integrado de ônibus, seria necessária a implantação da tarifa única. Isso tudo, por exemplo, já foi implantado em Curitiba, que hoje já chegou no seu limite.’’ ‘‘O sistema de transportes deve ser encarado como um instrumento do desenvolvimento. É preciso aperfeiçoar a coordenação das políticas públicas do desenvolvimento urbano do DF em conjunto com as políticas de uso e ocupação do solo e habitacional. Repensar a relação entre o poder público e as empresas de transportes para dar mais competitividade ao setor: utilizar veículos diferenciados de acordo com as necessidades do mercado, contratos sejam mais flexíveis e possam ser mais criativos. Fazer um sistema de transportes metropolitanos realmente integrado e evitar a duplicidade de linhas no mesmo percurso. Todas as linhas não precisam chegar à Rodoviária, por exemplo. Instituir o sistema de bilhetagem automática.’’ ‘‘Integrar o metrô aos ônibus. Vias exclusivas para ônibus, operando nos principais eixos, o que reduz custos, aumenta a velocidade do sistema e evita congestionamentos. Criar diversos terminais rodoviários intermediários que interliguem várias cidades aos sistemas de distribuição. Equacionar o uso do solo com o sistema de tranportes. Que parte do lucro da instalação de atividades comerciais ao longo do metrô, por exemplo, possa ser revertida no sistema de transportes. Tornar mais eficaz o sistema com maior participação dos usuários no processo de mudanças das linhas. Não permitir o transporte clandestino. Que o transporte alternativo ocupe apenas 30% do sistema. Descentralizar atividades públicas, de lazer, de emprego para as cidades da periferia. Desenvolver planos regionais de transportes.’’
 


© Copyright CorreioWeb. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do CorreioWeb.