FALTAM 13 DIAS PARA BRASÍLIA COMPLETAR 40 ANOS
 

Que ações podem reverter a escalada da violência no DF?

 
 
 
SAFE CARNEIRO,
presidente da OAB-DF
LÉA CARVALHO,
presidente da ONG Jovens Pela Paz
JOÃO MANOEL SIMCH BROCHADO,
ex-secretário de segurança pública
VALÉRIA GETÚLIO DE BRITO E SILVA,
coordenadora de formação do Movimento Nacional de Direitos Humanos
‘‘Não se pode imaginar que vamos acabar com a violência com apenas uma única tipo de atitude. Muito pelo contrário, é preciso que existam ações em várias frentes. Uma delas deve ser o aumento do efetivo policial. Mas isso deve vir aliado ao fim do conceito de segurança sem tolerância, que coloca pequenos infratores no mesmo patamar dos grandes bandidos. Outro ponto importante é a reforma do sistema penitenciário. Além disso, é preciso que o processo judiciário seja acelerado. Porque a demora nas decisões também transmite uma sensação de impunidade e uma decisão tardia é tão ruim quanto uma decisão injusta. Tudo isso sem esquecer do problema estrutural da renda. Ou seja, precisamos de uma melhor distribuição de renda no país.’’ ‘‘Investir na prevenção. É você ter como rotina nas escolas estudos sobre o comportamento, mostrar as vantagens de ser um jovem bem comportado, que não usa drogas e não entra em brigas. Acho que isso podia acontecer toda semana, ou pelo menos todos os meses, já a partir dos sete, oito anos de idade. As escolas são importantes porque são lugares onde se reúne um grande grupo de jovens no mesmo lugar durante muito tempo. Também é fundamental a efetiva fiscalização e o cumprimento das leis. Se é proibido vender bebidas alcoólicas para menores de idade, isso tem que ser cumprido. E, finalmente, a criação de políticas públicas permanentes para a juventude, o que também é muito importante mas hoje simplesmente não existe.’’ ‘‘Eu acho que há absoluta falta de conceitos e de ideologia sobre segurança pública. O que assistimos no Brasil são antropólogos alucinados, autoridades perdidas, cidadãos desesperados, todos opinando sobre um assunto que nem é tão complexo. Não adianta imaginar modificações de estrutura que vão levar cinco, dez anos para surtir efeito. A estrutura que existe hoje é passível de funcionamento. O que não faz funcionar é que todos têm opiniões diversificadas sobre o mesmo assunto. É preciso que os governadores, aqui ou em qualquer lugar, tenham secretários que efetivamente comandem o sistema de segurança, tenham o controle da estrutura. Além disso, a segurança pública se fundamenta na polícia militar, que é a polícia preventiva. Se ela não funciona tudo vai por água abaixo.’’ ‘‘O que discutimos no MNDH é a necessidade de políticas públicas, mas que não se restrinjam apenas ao lado policial, mas também a áreas como saúde, moradia, etc para assegurar um melhor padrão de vida que a maioria das pessoas hoje não tem. Ou seja, a adoção pelo Estado de políticas integratórias para essas pessoas que hoje são marginalizadas. Mais, a integração entre os poderes públicos, como polícia, Ministério Público, poder Judiciário, porque cada um está falando uma linguagem. Além disso o envolvimento do conjunto da sociedade, seja para denúncia ou para ações preventivas — sociedade e órgãos do Estado lutando juntos pela segurança pública e, principalmente, para criar uma nova cultura de segurança.’’
 


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