SAFE CARNEIRO,
presidente da OAB-DF |
LÉA CARVALHO,
presidente da ONG Jovens Pela Paz |
JOÃO MANOEL SIMCH BROCHADO,
ex-secretário de segurança pública |
VALÉRIA GETÚLIO DE BRITO E SILVA,
coordenadora de formação do Movimento Nacional de Direitos Humanos
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| ‘‘Não se pode imaginar que vamos acabar com a
violência com apenas uma única tipo de atitude. Muito pelo contrário,
é preciso que existam ações em várias frentes. Uma delas deve ser
o aumento do efetivo policial. Mas isso deve vir aliado ao fim do
conceito de segurança sem tolerância, que coloca pequenos infratores
no mesmo patamar dos grandes bandidos. Outro ponto importante é
a reforma do sistema penitenciário. Além disso, é preciso que o
processo judiciário seja acelerado. Porque a demora nas decisões
também transmite uma sensação de impunidade e uma decisão tardia
é tão ruim quanto uma decisão injusta. Tudo isso sem esquecer do
problema estrutural da renda. Ou seja, precisamos de uma melhor
distribuição de renda no país.’’ |
‘‘Investir na prevenção. É você
ter como rotina nas escolas estudos sobre o comportamento, mostrar
as vantagens de ser um jovem bem comportado, que não usa drogas
e não entra em brigas. Acho que isso podia acontecer toda semana,
ou pelo menos todos os meses, já a partir dos sete, oito anos de
idade. As escolas são importantes porque são lugares onde se reúne
um grande grupo de jovens no mesmo lugar durante muito tempo. Também
é fundamental a efetiva fiscalização e o cumprimento das leis. Se
é proibido vender bebidas alcoólicas para menores de idade, isso
tem que ser cumprido. E, finalmente, a criação de políticas públicas
permanentes para a juventude, o que também é muito importante mas
hoje simplesmente não existe.’’ |
‘‘Eu acho que há absoluta falta de conceitos e
de ideologia sobre segurança pública. O que assistimos no Brasil
são antropólogos alucinados, autoridades perdidas, cidadãos desesperados,
todos opinando sobre um assunto que nem é tão complexo. Não adianta
imaginar modificações de estrutura que vão levar cinco, dez anos
para surtir efeito. A estrutura que existe hoje é passível de funcionamento.
O que não faz funcionar é que todos têm opiniões diversificadas
sobre o mesmo assunto. É preciso que os governadores, aqui ou em
qualquer lugar, tenham secretários que efetivamente comandem o sistema
de segurança, tenham o controle da estrutura. Além disso, a segurança
pública se fundamenta na polícia militar, que é a polícia preventiva.
Se ela não funciona tudo vai por água abaixo.’’ |
‘‘O que discutimos no MNDH é a necessidade de
políticas públicas, mas que não se restrinjam apenas ao lado policial,
mas também a áreas como saúde, moradia, etc para assegurar um melhor
padrão de vida que a maioria das pessoas hoje não tem. Ou seja,
a adoção pelo Estado de políticas integratórias para essas pessoas
que hoje são marginalizadas. Mais, a integração entre os poderes
públicos, como polícia, Ministério Público, poder Judiciário, porque
cada um está falando uma linguagem. Além disso o envolvimento do
conjunto da sociedade, seja para denúncia ou para ações preventivas
— sociedade e órgãos do Estado lutando juntos pela segurança pública
e, principalmente, para criar uma nova cultura de segurança.’’ |