FALTAM 10 DIAS PARA BRASÍLIA COMPLETAR 40 ANOS
 

Quais as ações que podem ajudar a reduzir o grande número de adolescentes infratores no DF?

 
 
 
MESSIAS DE SOUSA
Ex-secretário de Desenvolvimento Social
SUSANA MACHADO
Delegada titular da Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA)
GUSTAVO RIBEIRO
Secretário da Criança e Assistência Social
GERALDINHO VIEIRA
Presidente da Agência de Notícia dos Direitos da Infância (ANDI)
‘‘É preciso o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente, o que representa um grande desafio. Que se faça o atendimento às crianças em situação de risco, com ajuda à família e proteção às crianças em abrigos, que têm de ter eficácia. Que sejam reimplantadas as Casas Abertas, um tipo específico de abrigo que permite a reintegração ao ambiente familiar, previne infrações e recupera ex-infratores com trabalho educacional. Garantir escolas para crianças não é só garantir a matrícula, mas a presença delas em sala de aula. Deve-se incentivar atividades relacionadas ao esporte e à cultura. Que se dê assistência psicológica e médica às vítimas de drogas e alcoolismo. Descentralizar o sistema punitivo, separando pequenos de grandes infratores. Não basta um programa só. São necessárias várias ações integradas.’’ ‘‘É preciso dar uma atenção especial às crianças e adolescentes, principalmente por parte dos pais, que têm de assumir seu papel. E a sociedade, em vez de somente reclamar, precisa ajudar e entender o problema. O poder público tem de garantir os direitos individuais, ou seja, cumprir o que diz o artigo 227 da Constituição, que é dar saúde, educação. Os pais têm que acompanhar o desenvolvimento da criança e impor limites: o que não pode não pode e ponto. Têm de acompanhar de perto os filhos. É preciso conversar, conversar e conversar com os filhos. O combate às drogas é uma ação internacional. É preciso dar atenção aos pais e aos desajustes familiares. E a comunidade tem que participar dos trabalhos voluntários que visam tirar as crianças das ruas. E combater as desigualdades sociais, o que é óbvio.’’ ‘‘É uma questão que preocupa o mundo inteiro. A competição dos nossos dias gera a violência infanto-juvenil, que é agravada pelo consumo de drogas. É necessário o fortalecimento do núcleo familiar com ações que reduzam os níveis de desemprego. Tem-se que preparar a família para as novas situações do mundo de hoje. É preciso reforçar a rede de proteção ao jovem, nas escolas e na saúde. Temos feito neste governo atendimento às crianças vítimas de violência intra-familiar, em parceria com a UnB, o que pretendemos tornar permanente; o programa Esporte à Meia-noite, que tira o jovem da rua; estamos aumentando a permanência do jovem na escola, com maior carga horária de aulas. E temos de ocupar os jovens nos fins de semana, como ocorre em programas internacionais.’’ ‘‘As infrações cometidas por adolescentes chocam a sociedade, mas elas são em percentual ínfimo, se comparadas com as infrações cometidas por adultos. Obviamente que o crime cometido por crianças e adolescentes tem impacto maior. Os jovens não encontram lugares para exercitar a sua energia e liderança, que alguns têm de forma natural. É preciso incentivar o protagonismo juvenil, dando espaço e condições para eles se exercitarem, seja por meio de esportes, cultura ou lazer. Todo ser humano necessita de aplauso, reconhecimento. Quando não há espaço para esse referencial como pessoa, o adolescente parte para a agressão. É preciso estabelecer políticas públicas mais amplas. Existe uma secretaria da Juventude no atual governo que até hoje não disse a que veio, não fez absolutamente nada.’’
 


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