FALTAM 7 DIAS PARA BRASÍLIA COMPLETAR 40 ANOS
 

Brasília deve continuar dependendo dos recursos da União para setores básicos, como segurança, saúde e educação?

 
 
 
David Fleischer
cientista político
Agnelo Queiroz
deputado federal (PCdoB)
José Zunga
presidente da CUT/DF
Roberto Piscitelli
presidente do Conselho Regional de Economia
"Seria melhor se não dependesse. Mas Brasília vai continuar recebendo recursos do governo federal porque a curto prazo não tem condições de manter-se. Assim como outras capitais, como Washington (EUA), o DF não tem arrecadação suficiente. Aqui há muitos imóveis e terrenos da União que são isentos de impostos, como o IPTU. É uma cidade que hospeda o poder e é correto que o governo subsidie isso em saúde e educação. O problema são as amarras que ele coloca para a liberação desse recurso. Ele não chega à cidade de graça. Neste país, o orçamento é ficção. É aprovado pelo Congresso, mas quem precisa tem de ficar mendigando para que ele seja liberado. O recurso torna-se uma moeda política que garante o poder ao presidente. Passar ao governo federal a responsabilidade pela administração dessas áreas é uma derrota para o GDF.’’ ‘‘No momento atual sim. O Distrito Federal não tem condições de arcar com esses recursos. Não é privilégio recebê-los. Sediar o poder e a capital federal implica ter despesas e responsabilidades para atender 2 milhões de habitantes. Entretanto, nossa economia deve ser planejada para buscar autonomia financeira e independência em relação ao governo federal no futuro. A cidade precisaria ampliar a arrecadação e, para isso, ter um plano de desenvolvimento e deixar de estar à mercê do humor do presidente da República. Brasília tem vocação turística e poderia revolucionar esse setor, que ainda é subutilizado em todo o país. Parte da autonomia viria com a estruturação de parques temáticos e museus, criando novos atrativos.’’ ‘‘ Brasília precisa desses recursos porque sofre com a interferência de outros estados tanto na área de saúde, porque atende moradores de outros estados e das cidades do entorno, como na área de educação, onde a cidade já atende acima do planejado. A União tem de arcar com essa responsabilidade e o governo local deveria gerenciar a mão-de-obra. Como a cidade conquistou a autonomia política, deveria buscar a administrativa também, gerenciando os recursos que vêm do governo federal. Mas, para isso, precisaria que os recursos destinados à saúde e educação também fossem garantias da Constituição, como ocorre com a área de segurança. Não há documento que garanta o repasse desse dinheiro. Todo mês, o GDF tem de mendigar dinheiro ao governo federal e acaba recebendo sanções políticas por isso.’’ ‘‘Sem dúvida. Mas essa idéia deveria ser institucionalizada. Amenizaria a relação que obriga ao governo local estabelecer negociações penosas todos os anos. Se o governo é de oposição ao presidente, então, corre risco de não receber os recursos. O governo age como se fosse um favor. Não dá. Ou o GDF tem autonomia ou não. A obrigação da União é clara em relação ao DF. A cidade é um abrigo do governo federal e das administrações estrangeiras. Todos usam educação, saúde e segurança em Brasília. O DF é um ponto de atração para o Entorno e até para os estados que não fazem limite. Por isso, quem tem que gastar com saúde é a União. A cidade presta serviços para a população de estados deficientes e esse recurso deve ser providenciado para atender à demanda.’’
 


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