Se o Governo do Distrito Federal depositar os R$ 300 mil que correspondem
à sua parte na parceria para a montagem da exposição Niemeyer 90 Anos,
a Federação das Indústrias de Brasília (Fibra) pode ter condições de
arcar com os outros R$ 280 mil. Para ter esse dinheiro, ela vai passar
o chapéu entre os empresários e tudo isso tem de ser feito o mais rápido
possível, para que haja tempo hábil para que a mostra esteja pronta
até 21 de abril.
O Governo do Distrito Federal se exime da culpa, e afirma que o cancelamento
da exposição deve-se ao fato de que a Fibra não levantou o restante
dos recursos como havia sido combinado. A mostra que vai rodar o mundo
conta de centenas de painéis, livros, medalhas, desenhos, maquetes,
capas de revistas nacionais e internacionais, móveis, depoimentos, fotos.
A secretária de Cultura, Luiza Dornas, não quis falar sobre o assunto.
O governo preferiu dar explicações sobre o cancelamento da exposição
por meio de uma nota assinada pelo secretário de Comunicação, Weligton
Moraes.
‘‘O GDF foi procurado pelo Instituto Lina Bo Bardi para patrocinar
(...) uma exposição dos trabalhos do arquiteto (...). Os custo da instalação
chegava a R$ 780 mil, mas entendimentos com a produtora reduziram os
gastos para R$ 580 mil. O GDF assumiu o compromisso de contribuir com
R$ 300 mil (..) a Fibra chegou até mesmo licitar os serviços para instalar
a mostra, mas o trabalho de levantar os recursos necessários não logrou
êxito. Por esse motivo, não está sendo possível realizar a montagem
da exposição’’, afirma a nota do GDF.
A nota ainda enfatiza que o secretário de Obras, Tadeu Filippelli,
e a secretária de Cultura já comunicaram o fato a Oscar Niemeyer e reafirmaram
a disposição de arcar com os R$ 300 mil referentes a sua contribuição.
No início da tarde, o arquiteto ainda não sabia sobre o cancelamento
da exposição. ‘‘Tanto Filippelli como o governador tiveram o maior empenho
em fazer a exposição e concluir o eixo monumental’’ — limitou-se a dizer
ao Correio, referindo ao secretário de Obras, Tadeu Filippelli, e ao
governador Joaquim Roriz. Niemeyer preferiu não fazer outros comentários.
O coordenador de Comunicação da Fibra, José Noguchi, disse que se
o governo depositar os R$ 300 mil, a Federação poderá ‘‘mostrar algo
concreto’’ que motive a solidariedade dos empresários para a arrecadação
do dinheiro que falta. ‘‘Brasília não pode ficar sem essa exposição’’,
disse Noguchi.
A EXPOSIÇÃO
A idéia da exposição é da curadora-geral da exposição, arquiteta
Cecília Scharlach. O projeto é do arquiteto Haron Cohen. E o próprio
Oscar Niemeyer opinou sobre o trabalho. A exposição foi apresentada
em São Paulo, ocupou 8 mil metros quadrados no Pavilhão Padre Manoel
da Nóbrega do Parque Ibirapuera, espaço cujo autor é o próprio arquiteto.
Em Brasília, a mostra foi projetada para ser apresentada em um espaço
menor, mas com todas as peças que a compõem — em quase 5 mil metros
quadrados, uma área fechada no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade
— com livre ingresso.
O primeiro contato com a exposição sobre vida e obra de Oscar Niemeyer
é a apresentação sobre o autor. Desenhar é preciso é um painel criado
por ele próprio, com 23 metros por 2,75 metros. É sua trajetória profissional
representada por desenhos a mão livre - croquis de projetos arquitetônicos.
Em palestras a estudantes, Niemeyer repete que o arquiteto tem que
saber desenhar. Os croquis são representações artísticas dos projetos.
Mas, mesmo belos, não são só objetos de contemplação. São a materialização
das intenções do profissional para si mesmo. Ele precisa enxergar o
produto que deseja criar. Desenha também para que as pessoas entendam
seus pensamentos artísticos.
‘‘Acho que a exposição sobre vida e obra de Oscar Niemeyer
irá fazer muito falta para os brasilienses. Niemeyer deve ser homenageado
junto com o aniversário da cidade que ele ajudou a construir. Ele não
pode ficar fora da festa. Será uma lástima a exposição passear pelo
mundo e não chegar a Brasília.’’
Athos Bulcão artista plástico
‘‘É um escândalo. O governo não tem noção da grandeza
desta exposição. O mundo inteiro irá prestigiar a exposição sobre a
vida e obra de Oscar Niemeyer e os brasilienses não? É um absurdo Brasília
comemorar seus 40 anos sem a presença de Oscar Niemeyer. Brasília precisa
conhecer a exposição.’’
Vera Brant empresária
‘‘O governo deveria fazer um esforço para trazer a exposição
da vida e obra de Oscar Niemeyer para Brasília. A iniciativa privada
também. O mundo está vibrando com a exposição e os brasilienses ainda
não conhecem e correm o riso de não conhecer. É muito importante que
a exposição venha para cidade, principalmente nas comemorações dos 40
anos.’’
Gilson Paranhos presidente do Instituto de
Arquitetos do Brasil-DF (IAB)
‘‘Ainda não conheço a exposição da vida e obra de Oscar
Niemeyer que está em São Paulo. Mas acredito que a mais importante e
permanente exposição são as obras arquitetônicas de Brasília. Não há
necessidade de outra exposição, desde a população conserve as obras
existentes na cidade.’’
Maria Elisa Costa arquiteta, filha de Lucio
Costa
‘‘A exposição da vida e obra de Oscar Niemeyer é essencial
para o aniversário da cidade. É lamentável não chegar até Brasília pois
Oscar Niemeyer e Lucio Costa são os pais de Brasília. Outro ponto importante
da exposição: ver a arquitetura como uma atividade cultural.’’
Geraldo Nogueira Batista diretor da Faculdade
de Arquitetura da Universidade de Brasília