CARLOS MAGNO DE MELO
presidente da Associação Comercial do DF (ACDF) |
LOURIVAL DANTAS
presidente da Federação das Indústrias (Fibra) |
JÚLIO MIRAGAYA
presidente do Sindicato dos Economistas do DF |
NEWTON DE CASTRO,
superintendente do Sebrae/DF |
| ‘‘O único caminho viável é acabar com o desemprego,
através do incentivo às empresas de prestação de serviço. O comércio
e as indústrias já estabelecidos na cidade absorvem grande parte
da mão-de-obra existente. Tornaram-se um dos grandes empregadores
do Distrito Federal. Mas é pouco. Elas precisam de melhores condições
de desenvolvimento para aumentarem a oferta de vagas. Depois do
fortalecimento das empresas locais, poderíamos pensar em atrair
empresas de fora. Mas temos que ver se é mais vantajoso investir
nas daqui ou oferecer incentivos fiscais para as de outros estados.
Trabalhar o turismo também seria um aspecto promissor, integrando-o
ao comércio e as indústrias para atrair visitantes. O DF e o Entorno
têm belezas naturais ainda pouco exploradas.’’ |
‘‘Esta cidade tem a maior renda per capita do
país. O consumo é muito alto. O maior incentivo para atrair investimentos
é o mercado. Temos que começar um processo de industrialização de
serviços, produzindo aqui o que consumimos nas áreas de construção
civil, indústrias gráficas, de alimentos, vestuário e eletro-eletrônicos.
São estas indústrias de pequeno e médio porte que vão crescer e
gerar emprego e renda para os moradores. Informática também é um
grande mercado. Hoje, temos cerca de 700 empresas. Somos o segundo
consumidor do país na área de informática e temos uma mão-de-obra
muito qualificada. Procuramos associar indústrias e universidades
porque os alunos saem de lá com domínio na linguagem e falando,
no mínimo, dois idiomas.’’ |
‘‘O Distrito Federal está numa encruzilhada há
algum tempo. Temos que encontrar sua vocação econômica, porque desde
1990 o setor público, que era o maior empregador, parou de absorver
a mão-de-obra existente. Depois disso, a cidade entrou em crise
de identidade. O mais viável seria industrializar os municípios
goianos mais próximos. Gerando empregos lá, diminuiria a pressão
pelos postos de trabalho em Brasília. Há condições favoráveis para
isso. Depois, teríamos que investir em três ou quatro atividades
que garantiriam emprego para a população daqui. Há algumas idéias,
como desenvolver o turismo de eventos, já que trata-se da capital
federal, e criar o Pólo de Excelência Tecnológica. Idéias já existem,
falta torná-las realidade.’’ |
‘‘O caminho é investir recursos para garantir o
sucesso dos pequenos negócios. Brasília têm muitos empreendedores,
boas cabeças. E um mercado consumidor com alta renda per capita.
Faltam apenas investimentos. Para que as pequenas empresas sejam
viáveis, é necessário retirar os entraves ao seu desenvolvimento,
como as altas cargas tributárias e a burocracia. Assim, eles terão
condições de trabalhar melhor e oferecer produtos de qualidade,
em todas as áreas. A burocracia é tão grande que hoje existem 50
mil empresas atuando no Distrito Federal, 45 mil são pequenas empresas,
mas são 150 mil registros na Junta Comercial. Isso significa que
dá tanto trabalho para desconstituir uma empresa que as pessoas
deixam de lado. Isso é um absurdo.’’ |