FALTAM 22 DIAS PARA BRASÍLIA COMPLETAR 40 ANOS
 

Qual o melhor caminho para o desenvolvimento econômico do DF?

 
A partir de hoje, dentro da série sobre os 40 anos de Brasília, o Correio Braziliense começa a publicar uma enquete com personalidades do meio acadêmico e empresarial com o objetivo de debater os rumos e o futuro do Distrito Federal e da região do Entorno, além de encontrar respostas para o problema de conciliar a vocação administrativa de Brasília com a necessidade de crescimento econômico da região.
 
 
CARLOS MAGNO DE MELO
presidente da Associação Comercial do DF (ACDF)
LOURIVAL DANTAS
presidente da Federação das Indústrias (Fibra)
JÚLIO MIRAGAYA
presidente do Sindicato dos Economistas do DF
NEWTON DE CASTRO,
superintendente do Sebrae/DF
‘‘O único caminho viável é acabar com o desemprego, através do incentivo às empresas de prestação de serviço. O comércio e as indústrias já estabelecidos na cidade absorvem grande parte da mão-de-obra existente. Tornaram-se um dos grandes empregadores do Distrito Federal. Mas é pouco. Elas precisam de melhores condições de desenvolvimento para aumentarem a oferta de vagas. Depois do fortalecimento das empresas locais, poderíamos pensar em atrair empresas de fora. Mas temos que ver se é mais vantajoso investir nas daqui ou oferecer incentivos fiscais para as de outros estados. Trabalhar o turismo também seria um aspecto promissor, integrando-o ao comércio e as indústrias para atrair visitantes. O DF e o Entorno têm belezas naturais ainda pouco exploradas.’’  ‘‘Esta cidade tem a maior renda per capita do país. O consumo é muito alto. O maior incentivo para atrair investimentos é o mercado. Temos que começar um processo de industrialização de serviços, produzindo aqui o que consumimos nas áreas de construção civil, indústrias gráficas, de alimentos, vestuário e eletro-eletrônicos. São estas indústrias de pequeno e médio porte que vão crescer e gerar emprego e renda para os moradores. Informática também é um grande mercado. Hoje, temos cerca de 700 empresas. Somos o segundo consumidor do país na área de informática e temos uma mão-de-obra muito qualificada. Procuramos associar indústrias e universidades porque os alunos saem de lá com domínio na linguagem e falando, no mínimo, dois idiomas.’’ ‘‘O Distrito Federal está numa encruzilhada há algum tempo. Temos que encontrar sua vocação econômica, porque desde 1990 o setor público, que era o maior empregador, parou de absorver a mão-de-obra existente. Depois disso, a cidade entrou em crise de identidade. O mais viável seria industrializar os municípios goianos mais próximos. Gerando empregos lá, diminuiria a pressão pelos postos de trabalho em Brasília. Há condições favoráveis para isso. Depois, teríamos que investir em três ou quatro atividades que garantiriam emprego para a população daqui. Há algumas idéias, como desenvolver o turismo de eventos, já que trata-se da capital federal, e criar o Pólo de Excelência Tecnológica. Idéias já existem, falta torná-las realidade.’’ ‘‘O caminho é investir recursos para garantir o sucesso dos pequenos negócios. Brasília têm muitos empreendedores, boas cabeças. E um mercado consumidor com alta renda per capita. Faltam apenas investimentos. Para que as pequenas empresas sejam viáveis, é necessário retirar os entraves ao seu desenvolvimento, como as altas cargas tributárias e a burocracia. Assim, eles terão condições de trabalhar melhor e oferecer produtos de qualidade, em todas as áreas. A burocracia é tão grande que hoje existem 50 mil empresas atuando no Distrito Federal, 45 mil são pequenas empresas, mas são 150 mil registros na Junta Comercial. Isso significa que dá tanto trabalho para desconstituir uma empresa que as pessoas deixam de lado. Isso é um absurdo.’’
 


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